Em pessoas com diabetes, avaliar os rins apenas pela creatinina pode deixar sinais importantes de fora. A atualização de 2026 da KDIGO reforça que o risco renal deve ser estadiado com dois exames: a eGFR, que estima a filtração dos rins, e a UACR, que mede albumina na urina.
Por que um exame só não basta
A relação entre diabetes e rins é silenciosa no começo. A função de filtração pode parecer preservada, enquanto a urina já mostra perda de albumina, um sinal precoce de lesão nos filtros renais.
Por isso, usar apenas um marcador pode passar uma falsa sensação de segurança. A combinação entre eGFR e UACR ajuda a enxergar tanto a capacidade de filtrar quanto o dano renal em andamento.
O que mudou na atualização da KDIGO
Segundo a diretriz de prática clínica KDIGO 2026 Clinical Practice Guideline for Diabetes and Chronic Kidney Disease, em versão de revisão pública, adultos e crianças com diabetes devem ser avaliados para doença renal crônica usando UACR e eGFR.
A diretriz orienta iniciar os testes no diabetes tipo 2 desde o diagnóstico, porque a doença pode existir há anos sem ser percebida. No diabetes tipo 1, a avaliação costuma começar após 5 anos de diagnóstico e seguir com repetição anual quando os resultados estão normais.

O que são os dois exames
Os dois exames se completam porque mostram partes diferentes do mesmo problema. Juntos, eles ajudam o médico a definir risco, frequência de acompanhamento e necessidade de proteção renal.
- eGFR: estima a taxa de filtração dos rins a partir da creatinina no sangue;
- UACR: mede a relação albumina-creatinina em amostra simples de urina;
- UACR igual ou acima de 30 mg/g: pode indicar albuminúria persistente;
- eGFR abaixo de 60 ml/min/1,73 m²: pode sugerir redução da função renal;
- Resultados alterados geralmente precisam ser repetidos para confirmar persistência.
O que o estudo científico mostrou
Segundo a análise do estudo ADVANCE Albuminuria and Kidney Function Independently Predict Cardiovascular and Renal Outcomes in Diabetes, publicada no Journal of the American Society of Nephrology, albuminúria alta e eGFR baixa foram fatores independentes de risco cardiovascular e renal em pessoas com diabetes tipo 2.
Esse achado ajuda a entender o raciocínio da diretriz: quando albumina na urina e filtração renal carregam informações diferentes, estadiar o risco com os dois marcadores torna a avaliação mais completa e mais útil para prevenir progressão.

Como agir depois do resultado
Um exame alterado não significa falência renal, mas deve ser levado a sério. Infecção urinária, febre, exercício intenso, menstruação e descontrole recente da glicose ou da pressão podem interferir nos resultados.
- Repita o exame quando o médico orientar, especialmente se a UACR vier elevada;
- Mantenha controle rigoroso de glicose, pressão arterial e colesterol;
- Revise remédios que podem proteger ou sobrecarregar os rins;
- Evite anti-inflamatórios por conta própria;
- Acompanhe sinais e cuidados relacionados ao diabetes.
Quando eGFR e UACR são avaliadas juntas, o cuidado deixa de depender apenas de sintomas tardios e passa a focar prevenção, acompanhamento individualizado e proteção dos rins ao longo do tempo.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, endocrinologista, nefrologista ou outro profissional de saúde.









