A doença renal pode avançar por anos sem causar sintomas, e um exame simples de urina pode revelar sinais precoces antes que a creatinina no sangue chame atenção. O achado reforça por que a albuminúria vem ganhando espaço no rastreio de risco renal e cardiovascular.
Por que a doença renal passa despercebida
Os rins têm grande capacidade de compensação. Por isso, uma pessoa pode ter lesão renal inicial e ainda apresentar exames de sangue aparentemente normais, especialmente quando a taxa de filtração estimada permanece preservada.
Nessa fase, a perda de pequenas quantidades de albumina pela urina pode ser um dos primeiros sinais de dano. O problema é que esse exame nem sempre é solicitado na rotina da atenção primária.
O que o exame de urina encontrou
A relação albumina-creatinina urinária, também chamada de uACR ou ACR, mede quanta albumina aparece na urina em uma amostra simples. Quando está elevada, pode indicar lesão nos filtros dos rins.
- Abaixo de 30 mg/g costuma ser considerado normal ou levemente aumentado;
- Entre 30 e 300 mg/g indica albuminúria moderadamente aumentada;
- Acima de 300 mg/g sugere albuminúria importante;
- Resultados alterados geralmente devem ser repetidos para confirmar persistência.

O estudo científico na atenção primária
Segundo o estudo transversal multicêntrico Impact of albuminuria screening in primary care on the detection and management of chronic kidney disease: findings from the ONDAAS study, publicado no Clinical Kidney Journal, pesquisadores avaliaram a albuminúria em 9.890 adultos atendidos na atenção primária na província de Burgos, na Espanha.
O estudo encontrou albuminúria acima de 30 mg/g em 14,04% dos participantes, quase 1 em cada 7 adultos avaliados. Além disso, 22,29% preencheram critérios de doença renal crônica quando foram combinadas albuminúria e taxa de filtração estimada.
Quem deve ficar mais atento
O rastreio é especialmente importante em pessoas com maior risco de lesão renal silenciosa. Nesses casos, a albuminúria pode mudar a classificação de risco e influenciar o tratamento.
- Pessoas com diabetes ou pré-diabetes;
- Pessoas com pressão alta;
- Quem tem doença cardiovascular, obesidade ou colesterol alto;
- Idosos ou pessoas com histórico familiar de doença renal;
- Quem já teve alteração de creatinina, filtração baixa ou albuminúria prévia.

O que fazer diante de um resultado alterado
Um resultado isolado de albuminúria não confirma doença renal crônica, porque infecção urinária, febre, exercício intenso, menstruação e descontrole recente da glicose ou da pressão podem interferir. Por isso, o médico costuma repetir o exame e avaliar o contexto.
Quando a alteração persiste, o cuidado envolve controlar pressão, glicose, peso, alimentação e medicamentos que protegem os rins quando indicados. Entender os sinais de insuficiência renal também ajuda a reconhecer situações que exigem avaliação mais rápida.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nefrologista ou outro profissional de saúde.









