O uso contínuo de remédios que reduzem a acidez do estômago pode interferir na vitamina B12 porque atrapalha uma etapa simples da digestão: separar essa vitamina das proteínas dos alimentos para que ela possa ser absorvida.
O passo da digestão que muda
A vitamina B12 presente em carnes, ovos, leite e outros alimentos de origem animal vem ligada a proteínas. Para aproveitá-la, o estômago precisa liberar ácido clorídrico, que “solta” a B12 antes de ela se unir ao fator intrínseco, proteína necessária para a absorção.
Segundo o NIH Office of Dietary Supplements, inibidores de ácido gástrico, como omeprazol, lansoprazol e alguns bloqueadores H2, podem dificultar esse processo e contribuir para deficiência de B12 quando usados por longos períodos.
O que mostrou o estudo científico
Segundo o estudo Proton Pump Inhibitor and Histamine 2 Receptor Antagonist Use and Vitamin B12 Deficiency, publicado no JAMA, o uso por 2 anos ou mais de inibidores da bomba de prótons ou bloqueadores H2 foi associado a maior chance de deficiência de vitamina B12.
Esse achado não prova que todo usuário terá deficiência, mas ajuda a explicar por que o tema antiácido B12 merece atenção em quem usa esses medicamentos de forma contínua, especialmente sem reavaliação periódica.

Sinais que podem aparecer
A deficiência de B12 pode demorar anos para se manifestar, porque o corpo armazena essa vitamina. Quando os estoques caem, os sintomas podem ser confundidos com cansaço comum, estresse ou envelhecimento.
- Cansaço e fraqueza persistentes;
- Formigamento nas mãos ou nos pés;
- Palidez, palpitações ou falta de ar aos esforços;
- Falhas de memória, confusão ou dificuldade de concentração;
- Língua dolorida, perda de apetite ou perda de peso sem explicação.
Quem deve ter mais cuidado
O risco pode ser maior quando o remédio é usado todos os dias por meses ou anos, principalmente se já existem outros fatores que reduzem a ingestão ou a absorção da vitamina.
- Pessoas com mais de 50 anos;
- Vegetarianos estritos e veganos;
- Quem fez cirurgia bariátrica ou cirurgia no estômago;
- Pessoas com gastrite atrófica, doença celíaca ou Crohn;
- Quem também usa metformina por longo prazo.

Como reduzir o risco
Não é recomendado parar o antiácido por conta própria, porque refluxo, gastrite e úlceras podem piorar sem orientação. O mais seguro é revisar com o médico se a dose, a frequência e a duração ainda fazem sentido.
Também pode ser útil investigar a vitamina B12 quando há sintomas ou fatores de risco. Em alguns casos, o profissional pode orientar alimentos fortificados, suplemento oral ou aplicação, dependendo da causa da deficiência.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista, farmacêutico ou outro profissional de saúde.









