Trocar refrigerante comum por refrigerante zero pode reduzir açúcar e calorias no curto prazo, mas isso não significa que os adoçantes sejam uma solução para emagrecer. O ponto central é entender que bebida zero não corrige, sozinha, hábitos alimentares, fome emocional ou excesso de ultraprocessados.
O alerta da OMS
A Organização Mundial da Saúde alerta que adoçantes sem açúcar não devem ser usados como estratégia principal para controle de peso ou prevenção de doenças crônicas. A recomendação não é um “banimento”, mas um cuidado contra a ideia de que trocar açúcar por adoçante resolve o problema metabólico.
Segundo a OMS, a orientação se baseia em evidências de que esses adoçantes não oferecem benefício claro e duradouro na redução de gordura corporal e podem estar associados, em estudos de longo prazo, a maior risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade.
O que um estudo científico encontrou
A revisão sistemática e meta-análise Association between intake of non-sugar sweeteners and health outcomes, publicada no BMJ, avaliou estudos randomizados e observacionais sobre adoçantes sem açúcar em adultos e crianças.
Os autores concluíram que os resultados disponíveis não mostravam evidência convincente de benefícios importantes para perda de peso ou saúde geral. Isso ajuda a explicar por que o refrigerante zero pode ser uma troca pontual, mas não deve virar promessa de controle de peso.

Quando o zero pode atrapalhar
O problema não é apenas a lata em si, mas o padrão que ela pode manter. Para algumas pessoas, o sabor muito doce preserva o desejo por doces e facilita compensações no restante do dia.
- Usar refrigerante zero como “licença” para comer mais ultraprocessados;
- Trocar água por bebidas adoçadas todos os dias;
- Manter paladar muito dependente de sabor doce;
- Ignorar fome, saciedade e qualidade das refeições;
- Acreditar que “zero açúcar” significa consumo livre.
Quem deve ter mais cuidado
Alguns grupos precisam discutir o consumo com um profissional, especialmente quando há doenças metabólicas, alterações gastrointestinais ou uso frequente de produtos adoçados.
- Pessoas com diabetes, pré-diabetes ou resistência à insulina;
- Quem tenta emagrecer e sente mais vontade de doces após consumir adoçantes;
- Pessoas com refluxo, gases ou desconforto intestinal;
- Crianças, gestantes e lactantes, que exigem orientação individual;
- Quem consome vários produtos zero no mesmo dia.

Como reduzir açúcar sem depender do zero
Uma estratégia mais sustentável é diminuir o excesso de açúcar e adoçantes aos poucos, priorizando água, água com gás sem adoçar, chás sem açúcar e alimentos menos processados. O refrigerante zero pode ser ocasional, mas não deve substituir hidratação e alimentação equilibrada.
Para entender melhor tipos, usos e cuidados, veja também o conteúdo sobre adoçantes. O ideal é olhar o conjunto da rotina: qualidade das refeições, sono, atividade física, controle de glicose e redução gradual da necessidade de sabor doce.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.







