O consumo frequente de ultraprocessados na adolescência está associado a maior chance de excesso de peso, especialmente quando esses produtos substituem refeições caseiras, frutas, verduras, feijões e outros alimentos mais nutritivos. O alerta é importante porque essa fase combina mais autonomia alimentar, influência da publicidade e maior exposição a lanches prontos.
O que são ultraprocessados
Ultraprocessados são produtos industriais feitos com muitos ingredientes, como açúcar, gordura, sal, corantes, aromatizantes, emulsificantes e outros aditivos. Em geral, são práticos, saborosos e muito disponíveis, mas costumam ter alta densidade calórica e menor valor nutricional.
Entre os exemplos comuns estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, cereais açucarados, bebidas adoçadas, embutidos e refeições prontas congeladas.
O que o estudo científico recente encontrou
Para entender melhor o impacto desses alimentos na adolescência, uma revisão sistemática com meta-análise reuniu pesquisas de diferentes países e avaliou a relação entre consumo de ultraprocessados e excesso de peso nessa faixa etária.
Segundo o estudo Ultra-processed food consumption and the risk of overweight and obesity in adolescents: A systematic review and meta-analysis, publicado na revista PLOS One em 2026, adolescentes com maior consumo de ultraprocessados tiveram 63% mais chance de sobrepeso ou obesidade em comparação com aqueles com menor consumo.

Por que eles favorecem ganho de peso
O problema não está em um único alimento isolado, mas no padrão de consumo. Quando os ultraprocessados viram rotina, eles podem aumentar a ingestão de calorias e reduzir a presença de nutrientes importantes para crescimento, saciedade e saúde metabólica.
- Costumam ser ricos em açúcar, sódio e gorduras;
- Podem ter pouca fibra e proteína, o que reduz a saciedade;
- São fáceis de comer em grandes quantidades;
- Podem substituir arroz, feijão, legumes, frutas, ovos, leite e carnes;
- São muito presentes em lanches rápidos e no ambiente escolar.
Como reduzir sem radicalizar
Diminuir ultraprocessados não significa proibir tudo, mas reorganizar a rotina para que alimentos in natura ou minimamente processados sejam a base. Para reconhecer melhor esses produtos, veja também este conteúdo sobre alimentos ultraprocessados.
- Monte lanches com frutas, iogurte natural, castanhas ou sanduíches simples;
- Leia a lista de ingredientes e desconfie de listas muito longas;
- Troque bebidas adoçadas por água ou sucos naturais sem açúcar frequente;
- Evite comprar grandes estoques de salgadinhos e biscoitos;
- Inclua o adolescente no preparo das refeições.

O alerta para a família
A associação encontrada pela revisão não prova que todo adolescente que consome ultraprocessados terá obesidade, mas reforça que o consumo frequente merece atenção. Sono, atividade física, genética, renda, rotina familiar e saúde emocional também influenciam o peso.
O caminho mais seguro é criar um ambiente alimentar mais favorável, com comida de verdade disponível, menos bebidas açucaradas e menos dependência de produtos prontos no dia a dia. Pequenas trocas, mantidas com constância, podem proteger a saúde agora e na vida adulta.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde.









