A gordura no fígado pode evoluir por anos sem causar dor, enjoo ou alteração visível no corpo. Por isso, muitas pessoas só descobrem o problema após um exame de rotina mostrar enzimas hepáticas alteradas ou depois de uma ultrassonografia feita por outro motivo.
Por que pode passar despercebida
Na maior parte dos casos, a gordura no fígado não provoca sintomas no início. Quando aparecem, os sinais costumam ser vagos, como cansaço, desconforto no lado direito do abdômen ou sensação de peso após comer.
Segundo a Mayo Clinic, a doença costuma ser encontrada quando exames feitos por outros motivos apontam possível alteração no fígado, como aumento das enzimas hepáticas em um exame anual.
O exame que acende o alerta
O exame de sangue que mede enzimas do fígado, como TGP ou ALT e TGO ou AST, pode levantar a suspeita quando os valores estão elevados. Porém, ele não confirma sozinho o diagnóstico, pois essas alterações também podem ocorrer por álcool, remédios, hepatites e outras doenças.
- ALT ou TGP alta, muitas vezes ligada a inflamação no fígado;
- AST ou TGO alta, que também pode subir em problemas musculares;
- GGT elevada, comum em alterações hepáticas e uso de álcool;
- Ultrassom abdominal, usado para visualizar acúmulo de gordura;
- Elastografia, quando é preciso avaliar rigidez e risco de fibrose.

O que diz um estudo científico
Um ponto importante é que exames normais não excluem totalmente o problema. Por isso, fatores como obesidade, diabetes, colesterol alto e aumento da circunferência abdominal também entram na avaliação médica.
Segundo o estudo transversal Prevalence of hepatic steatosis in an urban population in the United States: impact of ethnicity, publicado na Hepatology, quase um terço da população avaliada tinha esteatose hepática, e 79% das pessoas com gordura no fígado apresentavam níveis normais de ALT.
Quem deve ter mais atenção
A gordura no fígado é mais comum quando existe acúmulo de gordura corporal e alterações metabólicas. Mesmo sem sintomas, alguns grupos devem conversar com o médico sobre a necessidade de investigar melhor o fígado.
- Pessoas com diabetes tipo 2 ou resistência à insulina;
- Quem tem colesterol ou triglicerídeos altos;
- Pessoas com sobrepeso, obesidade ou aumento da barriga;
- Quem tem pressão alta ou síndrome metabólica;
- Pessoas que usam álcool com frequência ou remédios que afetam o fígado.
Para entender melhor sintomas, graus e cuidados, veja também este conteúdo sobre gordura no fígado.

Quando procurar avaliação
Procure avaliação se exames de rotina mostrarem enzimas hepáticas elevadas, se o ultrassom indicar esteatose ou se houver fatores de risco metabólico. O médico pode solicitar novos exames para diferenciar gordura simples de inflamação ou cicatrização do fígado.
A investigação também é importante diante de pele ou olhos amarelados, urina escura, barriga inchada, perda de peso sem explicação, coceira intensa ou sonolência excessiva, pois esses sinais podem indicar doença hepática mais avançada.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









