Aquela sensação de agulhadas, dormência ou queimação nos pés costuma ser atribuída de imediato à má circulação, mas nem sempre essa é a explicação. Quando o formigamento aparece depois de ficar muito tempo na mesma posição e passa em poucos minutos, geralmente não preocupa. Já quando se repete com frequência ou persiste, pode estar ligado aos nervos periféricos, que conectam a medula às extremidades, e a causas como a deficiência de vitamina B12 ou o diabetes. Entender o que está por trás desse incômodo é o primeiro passo para investigar no momento certo e evitar que um sintoma discreto evolua para algo mais sério.
Por que os pés formigam?
O formigamento, chamado clinicamente de parestesia, surge quando há alteração na condução dos sinais elétricos pelos nervos periféricos. Em situações pontuais, é causado por compressão temporária e desaparece logo que a posição muda.
Quando o sintoma é frequente ou prolongado, porém, indica que algum fator pode estar lesionando esses nervos. É justamente essa persistência que diferencia um episódio passageiro de um sinal que merece atenção.
Quando o formigamento envolve os nervos periféricos?
O formigamento persistente costuma estar relacionado à neuropatia periférica, quando os nervos das extremidades sofrem dano ou irritação. Esse quadro pode evoluir de forma silenciosa e, com o tempo, substituir o formigamento por dormência e perda de sensibilidade.
Nos pés, isso aumenta o risco de feridas que passam despercebidas. Por isso, sintomas que se repetem por semanas merecem investigação, e não apenas a atribuição automática à circulação.

Quais causas estão por trás do formigamento persistente?
Quando o sintoma é recorrente, algumas causas se destacam pela frequência e pelo impacto na saúde dos nervos. As mais comuns incluem:
- Deficiência de vitamina B12, essencial para a bainha de mielina que protege os nervos;
- Diabetes mal controlado, em que o excesso de glicose danifica os nervos das extremidades;
- Compressão de nervos, como em hérnias de disco na coluna;
- Hipotireoidismo, que pode afetar a condução nervosa;
- Consumo excessivo de álcool ou uso prolongado de certos medicamentos.
Quando há sede intensa ou outros sinais associados, vale observar os sintomas de diabetes em conjunto com o formigamento, pois o controle da glicose ajuda a proteger os nervos.
Como investigar a causa do formigamento?
Os sinais externos sozinhos não confirmam a origem do problema. Por isso, quando o formigamento é persistente ou vem acompanhado de outros sintomas, a avaliação médica com exames é o caminho mais seguro.
O médico costuma solicitar glicemia, dosagem de vitamina B12, função da tireoide e, em alguns casos, eletroneuromiografia para avaliar a condução nervosa. Diante de sinais como dormência e fraqueza, vale entender melhor a falta de vitamina B12 e levar as queixas à consulta.
O que a ciência mostra sobre a B12 e os nervos
A ligação entre a deficiência de vitamina B12 e os danos aos nervos tem respaldo na literatura médica. Segundo a revisão sistemática The Neurological Sequelae of Vitamin B12 Deficiency, publicada na revista científica Cureus e indexada no PubMed, a falta dessa vitamina é uma causa reconhecida de complicações neurológicas, incluindo neuropatia periférica. Os autores observam que a reposição traz benefícios quando a deficiência é confirmada, mas que em casos leves os ganhos são limitados, o que reforça a importância de investigar antes de qualquer conduta.
Por esse motivo, tomar suplementos por conta própria não é recomendado, já que pode aliviar parte dos sintomas e mascarar a verdadeira causa, atrasando o diagnóstico. Se o formigamento nos pés for persistente, se espalhar ou vier com perda de força e equilíbrio, o ideal é procurar um médico para identificar a origem e definir o tratamento adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou profissional de saúde qualificado. Em caso de formigamento persistente ou sintomas associados, procure orientação médica.









