A antiga “gordura no fígado” passou a ser chamada, em muitos contextos médicos, de MASLD, sigla em inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. A mudança reforça que o problema não deve ser visto apenas como excesso de gordura no órgão, mas como um sinal ligado à cintura abdominal, glicose, pressão e outros marcadores do metabolismo.
O que significa MASLD
MASLD é o termo usado quando há acúmulo de gordura no fígado associado a pelo menos um fator de risco cardiometabólico. Isso pode incluir excesso de peso, aumento da circunferência abdominal, glicose alterada, diabetes tipo 2, pressão alta ou alterações no colesterol e triglicerídeos.
Nas diretrizes da EASL-EASD-EASO, publicadas no Journal of Hepatology, a MASLD é tratada como uma condição que precisa de avaliação metabólica ampla, e não apenas de exames do fígado isolados.
Por que a cintura entra na conta
A gordura abdominal é importante porque está ligada à resistência à insulina e à inflamação de baixo grau. Mesmo pessoas sem obesidade evidente podem ter maior risco quando há cintura aumentada e acúmulo de gordura visceral.
- Cintura abdominal elevada, especialmente quando associada a ganho de peso recente;
- Triglicerídeos altos ou HDL baixo;
- Histórico familiar de diabetes tipo 2;
- Sedentarismo e alimentação rica em açúcar, álcool ou ultraprocessados;
- Alterações em exames como TGO, TGP, GGT ou ultrassom abdominal.

Glicose e pressão mudam a investigação
A presença de glicose alta, pré-diabetes, diabetes tipo 2 ou pressão alta aumenta a suspeita de que a gordura no fígado faça parte de um quadro metabólico maior. Por isso, a avaliação costuma incluir glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, medida da pressão e cálculo de risco cardiovascular.
Esse olhar é importante porque muitas pessoas com MASLD não sentem dor nem apresentam sintomas no início. O achado pode aparecer em um ultrassom de rotina, mas a investigação deve buscar também sinais de fibrose, que é a cicatrização progressiva do fígado.
O que diz um estudo científico
Segundo o estudo de consenso Delphi A multisociety Delphi consensus statement on new fatty liver disease nomenclature, publicado no Journal of Hepatology, especialistas e representantes de pacientes de vários países aprovaram o termo MASLD para substituir NAFLD, com definição baseada na presença de esteatose hepática e pelo menos um fator cardiometabólico.
Na prática, isso muda a conversa no consultório. Em vez de focar apenas em “não beber álcool” ou “ter gordura no fígado”, o novo nome direciona a avaliação para o metabolismo, especialmente cintura, glicose, pressão arterial e gorduras no sangue.

O que acompanhar nos exames
O acompanhamento deve ser individualizado, mas alguns pontos ajudam a entender se a MASLD está ligada a maior risco metabólico ou hepático.
- Medida da cintura e cálculo do IMC;
- Glicemia de jejum e hemoglobina glicada;
- Pressão arterial em consultas e, se preciso, em casa;
- Colesterol, HDL, LDL e triglicerídeos;
- Avaliação de fibrose com escores, elastografia ou outros exames, quando indicados.
O tratamento costuma envolver perda de peso quando necessária, alimentação equilibrada, atividade física, controle da glicose e da pressão, além de reduzir álcool conforme orientação médica. Veja também mais informações sobre gordura no fígado e cuidados que podem ajudar.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









