O teste Alzheimer feito por sangue representa um avanço importante, mas não deve ser entendido como exame de rotina para qualquer esquecimento. Ele entra na investigação quando já existem sinais de declínio cognitivo e precisa ser interpretado junto com avaliação médica, histórico clínico e outros exames.
O que esse exame detecta
O teste mede biomarcadores relacionados à doença de Alzheimer, como proteínas ligadas à formação de placas amiloides no cérebro. Essas placas são uma das alterações biológicas associadas à doença.
Em 2025, a FDA autorizou o Lumipulse G pTau217/β-Amyloid 1-42 Plasma Ratio como o primeiro exame de sangue para auxiliar o diagnóstico de Alzheimer em adultos com 55 anos ou mais que apresentam sinais e sintomas de declínio cognitivo.
Quando entra na investigação
Esse exame não foi liberado como triagem geral nem como teste isolado. Ele é indicado para ajudar médicos em ambientes especializados, especialmente quando já existe suspeita clínica e a dúvida é se há sinais biológicos compatíveis com Alzheimer.
- Entra na investigação quando há perda de memória progressiva ou dificuldade para realizar tarefas habituais;
- Pode ajudar quando o médico precisa decidir se exames como PET amiloide ou líquor são necessários;
- Não substitui avaliação neurológica, testes cognitivos e análise de outras causas possíveis;
- Não deve ser usado por pessoas sem sintomas apenas por curiosidade ou medo familiar.

Estudo científico sobre p-tau217
A utilidade dos biomarcadores no sangue vem sendo estudada porque eles podem tornar a investigação menos invasiva do que a punção lombar e mais acessível do que exames de imagem avançados. Ainda assim, a precisão depende do contexto clínico e do tipo de teste usado.
Segundo o estudo observacional Plasma phospho-tau217 for Alzheimer’s disease diagnosis in primary and secondary care using a fully automated platform, publicado na Nature Medicine, a dosagem de p-tau217 em plataforma automatizada mostrou alta precisão para identificar alterações compatíveis com Alzheimer em pessoas com sintomas cognitivos, mas os autores destacam a importância de pontos de corte e validação em diferentes cenários.
Por que não é um teste comum
Um resultado positivo não confirma sozinho que todos os sintomas são causados por Alzheimer. Da mesma forma, um resultado negativo não elimina totalmente a necessidade de avaliação, principalmente quando os sintomas continuam ou pioram.
Há risco de falso positivo, que pode gerar ansiedade e tratamentos desnecessários, e de falso negativo, que pode atrasar a investigação correta. Por isso, o exame deve ser uma peça dentro do raciocínio médico, não uma resposta definitiva.

O que observar antes da consulta
Antes de pedir qualquer exame, é útil organizar os sintomas e levar informações claras ao médico. Isso ajuda a diferenciar alterações esperadas do envelhecimento de sinais que podem indicar um problema neurológico.
- Esquecimentos frequentes que atrapalham compromissos, contas ou remédios;
- Dificuldade para se localizar em lugares conhecidos;
- Repetição de perguntas ou conversas no mesmo dia;
- Mudanças de comportamento, humor ou julgamento;
- Piora progressiva percebida pela família ao longo dos meses.
Para entender melhor sintomas, causas e tratamento, veja também o conteúdo sobre Alzheimer.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









