A vitamina K2, especialmente na forma menaquinona-7, emerge como a vitamina mais importante para a saúde articular em pessoas com osteoartrite, atuando através de mecanismos duplos que previnem a calcificação anormal da cartilagem articular e promovem a regeneração tecidual. Estudos demonstram que a deficiência de vitamina K aumenta em sessenta por cento o risco de desenvolver osteoartrite e que níveis adequados dessa vitamina ativam proteínas especializadas que redistribuem o cálcio erroneamente depositado nas articulações de volta aos ossos onde é necessário, além de estimular a síntese de colágeno e proteger os condrócitos contra ferroptose, uma forma de morte celular que acelera a degeneração articular.
Como a vitamina K2 remove o cálcio das articulações?
A vitamina K2 atua como cofator essencial para a ativação da proteína Gla da matriz, conhecida como MGP, que funciona como potente inibidor da calcificação em tecidos moles incluindo cartilagem articular. Em cartilagens saudáveis, a MGP está completamente carboxilada e ativa, ligando-se a cristais de cálcio e impedindo seu crescimento, além de inibir proteínas morfogenéticas ósseas que induzem mineralização inapropriada fora do esqueleto.
Estudos em condrócitos humanos revelam que células de pacientes com osteoartrite produzem principalmente vesículas contendo MGP não carboxilada e inativa, enquanto células saudáveis produzem complexos completamente carboxilados e funcionais. A calcificação resultante da cartilagem induz proliferação de células sinoviais, liberação de citocinas inflamatórias, ativação de metaloproteinases que degradam matriz, rigidez progressiva da cartilagem e perda da função de absorção de impacto, iniciando e exacerbando a progressão da osteoartrite.

Estudo científico comprova associação entre vitamina K e risco de osteoartrite
A relação entre status de vitamina K e desenvolvimento de osteoartrite foi confirmada em um importante estudo prospectivo publicado na revista Osteoarthritis and Cartilage. Segundo o estudo publicado na Osteoarthritis and Cartilage, parte do Healthy Aging and Body Composition Study com setecentos e noventa e um adultos idosos acompanhados por três anos, participantes com níveis plasmáticos muito baixos de vitamina K1 apresentaram risco um vírgula sete vezes maior de dano à cartilagem articular e risco dois vírgula seis vezes maior de dano meniscal.
A pesquisa demonstrou que níveis muito baixos de filoquinona, definidos como abaixo de zero vírgula dois nanomoles por litro, foram associados especificamente à progressão de lesões na cartilagem e menisco, tecidos articulares caracterizados por deposição de cálcio. Participantes com níveis mais altos de MGP não carboxilada, marcador de deficiência funcional de vitamina K, apresentaram maior probabilidade de ter danos meniscais, osteófitos, lesões de medula óssea e cistos subarticulares, sugerindo papel da MGP no metabolismo ósseo subcondral além da proteção cartilaginosa.
Benefícios comprovados da vitamina K2 para saúde articular
Além de prevenir calcificação e redistribuir cálcio, a vitamina K2 oferece múltiplos benefícios mecanísticos para articulações afetadas por artrite:
INIBIÇÃO DA FERROPTOSE
Evidências de 2024 indicam que a vitamina K2 suprime a ferroptose em condrócitos ao ativar a GPX4.
MATRIZ PROTEGIDA
Reduz a atividade de metaloproteinases (MMPs), preservando colágeno tipo II e proteoglicanos da cartilagem.
SÍNTESE DE COLÁGENO
Estimula osteoblastos e condrócitos a produzirem mais colágeno, melhorando flexibilidade e elasticidade articular.
EFEITO ANTI-INFLAMATÓRIO
Pode inibir a prostaglandina H sintase e reduzir prostaglandinas ligadas à dor e inflamação articular.
MENOS OSTEÓFITOS
Ao modular proteínas morfogenéticas ósseas (BMPs), pode reduzir a formação de esporões ósseos na osteoartrite.
GEOMETRIA ÓSSEA
Fortalece o osso subcondral, melhorando índices de resistência óssea e a geometria do quadril.
Fontes alimentares e suplementação de vitamina K2
A vitamina K existe em duas formas principais: K1 ou filoquinona, encontrada em vegetais verdes folhosos como espinafre, couve e brócolis, e K2 ou menaquinona, presente em alimentos fermentados e produtos animais. Estudos demonstram que K2, especialmente na forma MK-7, possui biodisp onibilidade superior e permanece mais tempo na circulação comparada à K1.
As melhores fontes alimentares de vitamina K2 incluem natto, alimento japonês de soja fermentada que fornece mais de mil microgramas por porção, queijos fermentados como gouda, brie e edam com cinquenta a setenta e cinco microgramas por cem gramas, gema de ovo com quinze microgramas por unidade, fígado de frango com noventa e três microgramas por cem gramas, e manteiga de animais alimentados com capim contendo quinze microgramas por colher de sopa. Para suplementação terapêutica, doses de cem a duzentos microgramas diários de MK-7 demonstraram eficácia em estudos clínicos, melhorando carboxilação de proteínas dependentes de vitamina K e reduzindo marcadores de degradação óssea e articular.
Limitações atuais e recomendações baseadas em evidências
Apesar da forte associação observacional entre status adequado de vitamina K e menor risco de osteoartrite, evidências de ensaios clínicos randomizados ainda são limitadas. Um ensaio de três anos com vitamina K1 em adultos mais velhos não demonstrou benefício significativo na osteoartrite de mão quando administrada a todos participantes, mas análises de subgrupo sugeriram que indivíduos deficientes em vitamina K que atingiram níveis suficientes durante o estudo apresentaram menor estreitamento do espaço articular.
Isso sugere que a suplementação pode beneficiar especificamente pessoas com deficiência documentada, comum em idosos, especialmente aqueles com baixo consumo de vegetais verdes e alimentos fermentados. A vitamina K2 apresenta perfil de segurança excepcional sem efeitos adversos relatados mesmo em doses altas, porém pessoas em uso de anticoagulantes como varfarina devem consultar médico antes de suplementar devido a potenciais interações. Para avaliação do status de vitamina K através de medição de MGP não carboxilada e orientações personalizadas sobre suplementação como adjuvante no tratamento da osteoartrite, consulte sempre um reumatologista ou médico ortopedista especializado em medicina musculoesquelética.









