Uma descoberta científica recente pode transformar o tratamento da artrite de joelho sem necessidade de medicamentos ou procedimentos invasivos. Pesquisadores identificaram que pequenas mudanças no ângulo dos pés durante a caminhada são capazes de reduzir significativamente a dor e retardar a progressão da doença. Essa abordagem personalizada, que ajusta a forma como cada pessoa posiciona os pés ao caminhar, oferece uma alternativa promissora para milhões de pessoas que convivem com osteoartrite, especialmente aquelas entre 30 e 50 anos que buscam evitar o uso prolongado de analgésicos ou cirurgias de substituição articular.
O que é a artrite e por que a dor nas articulações acontece?
A artrite é uma condição que causa inflamação nas articulações, resultando em dor, inchaço e rigidez. Existem diversos tipos, sendo a osteoartrite a forma mais comum, caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que protege as extremidades dos ossos. Quando essa cartilagem se deteriora, os ossos começam a ter mais atrito entre si, causando dor intensa e limitação de movimentos.
A osteoartrite de joelho afeta mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo e é a segunda maior causa de incapacidade física. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 15 milhões de brasileiros convivem com a doença, que está entre as principais causas de afastamento do trabalho. Os tratamentos convencionais incluem medicamentos anti-inflamatórios, fisioterapia e, nos casos mais graves, cirurgia de substituição da articulação.
Estudo científico revela como pequenas mudanças na caminhada podem aliviar a dor
A ciência validou uma abordagem revolucionária para o tratamento da artrite de joelho. Segundo estudo publicado na revista The Lancet Rheumatology em 2025, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Stanford, Universidade de Nova York e Universidade de Utah, modificações personalizadas no ângulo de progressão do pé durante a caminhada reduzem significativamente a dor e podem retardar a deterioração da cartilagem.
A pesquisa acompanhou 68 pessoas com osteoartrite leve a moderada do compartimento medial do joelho durante um ano. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu treinamento para ajustar o ângulo dos pés de forma personalizada, enquanto o outro manteve seu padrão natural de caminhada. Após seis sessões de retreinamento com biofeedback em tempo real, o grupo que modificou seu ângulo de caminhada apresentou redução média de 1,2 pontos na escala de dor, diminuição de 4% na carga sobre o joelho e menor degradação da microestrutura da cartilagem observada por ressonância magnética.

Como funciona a técnica de modificação do ângulo dos pés ao caminhar?
A abordagem consiste em ajustar sutilmente o ângulo em que os pés apontam durante a caminhada, seja virando-os levemente para dentro ou para fora em relação ao padrão natural de cada pessoa. Essa modificação redistributi a carga que recai sobre o joelho, reduzindo especificamente a pressão no compartimento medial, onde ocorre a maioria dos casos de osteoartrite.
Durante o estudo, os pesquisadores utilizaram análise computadorizada da marcha para identificar qual ajuste seria mais eficaz para cada indivíduo. Alguns participantes se beneficiaram de um ângulo de 5 graus, enquanto outros necessitaram de 10 graus de modificação. Essa personalização é fundamental porque cada pessoa possui uma biomecânica única, e o que funciona para um pode não ser ideal para outro. Os resultados mostraram que aqueles que adotaram o novo padrão de caminhada relataram alívio da dor semelhante ao uso de medicamentos comuns, porém sem os efeitos colaterais.
Principais benefícios da modificação personalizada da marcha para artrite
A técnica de modificação do ângulo dos pés apresenta vantagens significativas em relação aos tratamentos convencionais:
- Não requer medicamentos, evitando efeitos colaterais como danos ao fígado, rins e estômago causados por anti-inflamatórios
- Abordagem não invasiva que dispensa procedimentos cirúrgicos e seus riscos associados
- Reduz a carga sobre a articulação do joelho em média 4%, diminuindo o desgaste contínuo
- Retarda a progressão da doença ao preservar a cartilagem existente
- Pode ser praticada diariamente durante as atividades normais de caminhada
- Custo-benefício favorável comparado a tratamentos farmacológicos de longo prazo
A pesquisa também identificou que exames de imagem por ressonância magnética confirmaram menor alteração na microestrutura da cartilagem no grupo que modificou a caminhada. Especificamente, o tempo de relaxamento T1ρ, um marcador da saúde da cartilagem, mostrou diferença de 3,74 milissegundos entre os grupos, indicando preservação do tecido articular. Esses achados sugerem que a técnica não apenas alivia sintomas, mas potencialmente desacelera a evolução da osteoartrite.
Quem pode se beneficiar dessa técnica e como começar?
A modificação do ângulo de caminhada é mais indicada para pessoas com osteoartrite leve a moderada do compartimento medial do joelho. Indivíduos entre 30 e 50 anos que convivem com a doença há anos, mas ainda não possuem indicação cirúrgica, são candidatos ideais para essa intervenção. A técnica também beneficia aqueles que apresentam efeitos colaterais com medicamentos ou preferem abordagens não farmacológicas.
Algumas considerações importantes para quem deseja experimentar essa estratégia incluem:
INDICAÇÃO PRINCIPAL
Indicada para pessoas com osteoartrite leve a moderada no compartimento medial do joelho.
PERFIL IDEAL
Adultos entre 30 e 50 anos sem indicação cirúrgica e que buscam alternativas não farmacológicas.
AVALIAÇÃO PROFISSIONAL
Consultar fisioterapeuta ou reumatologista antes de iniciar a modificação da marcha.
AJUSTE PERSONALIZADO
Realizar avaliação da marcha para definir o ângulo ideal de modificação individual.
ADAPTAÇÃO GRADUAL
Iniciar com sessões curtas e usar biofeedback para consolidar o novo padrão de caminhada.
ESTRATÉGIA COMPLEMENTAR
Combinar com controle de peso e fortalecimento muscular para melhores resultados.
Embora a técnica estudada tenha sido realizada em laboratório especializado com equipamentos sofisticados, avanços recentes em inteligência artificial permitem que análises de marcha sejam feitas através de vídeos de smartphone. Isso pode tornar essa abordagem mais acessível em clínicas e consultórios no futuro próximo. Os pesquisadores ressaltam que a intervenção é simples e não invasiva, podendo se tornar uma alternativa de longo prazo para pessoas que convivem com a doença por décadas.
Estratégias complementares para gerenciar a artrite sem medicação excessiva
Além da modificação da caminhada, outras abordagens não farmacológicas comprovadas ajudam a controlar os sintomas da artrite. A prática regular de exercícios de baixo impacto como natação, ciclismo e pilates fortalece a musculatura ao redor das articulações, proporcionando maior sustentação e reduzindo o estresse sobre a cartilagem. Estudos demonstram que programas regulares de exercício reduzem a dor e melhoram significativamente a função física.
Manter o peso corporal adequado é essencial porque cada quilo extra representa carga adicional sobre joelhos e quadris. A alimentação balanceada rica em alimentos anti-inflamatórios, como peixes gordos fontes de ômega-3, frutas, vegetais e oleaginosas, também contribui para reduzir a inflamação sistêmica. Terapias complementares como aplicação de calor ou gelo, dependendo do momento, e técnicas de relaxamento ajudam no manejo da dor crônica.









