A finasterida é um medicamento usado principalmente em duas situações: alopecia androgenética masculina, conhecida como calvície, e hiperplasia prostática benigna, condição em que a próstata aumenta de tamanho e pode causar sintomas urinários. Embora seja bem conhecida, a finasterida não deve ser usada por conta própria, porque a dose, a indicação e os possíveis efeitos adversos mudam conforme o objetivo do tratamento.
Para que serve a finasterida?
A finasterida bloqueia a enzima 5-alfa-redutase, responsável por transformar parte da testosterona em di-hidrotestosterona, ou DHT. Esse hormônio participa tanto do processo de miniaturização dos fios na alopecia androgenética quanto do crescimento da próstata.
Na dermatologia, a Sociedade Brasileira de Dermatologia informa que a finasterida é um dos medicamentos utilizados no tratamento da alopecia androgenética. Já na urologia, a Sociedade Brasileira de Urologia inclui os inibidores da 5-alfa-redutase, como finasterida e dutasterida, entre as opções para homens com sintomas urinários associados ao aumento da próstata.
A dose é a mesma para queda de cabelo e próstata aumentada?
Não. A indicação depende da apresentação e da avaliação médica. Para alopecia androgenética masculina, a finasterida de 1 mg ao dia é a apresentação tradicionalmente empregada. Para hiperplasia prostática benigna, utiliza-se geralmente a apresentação de 5 mg ao dia.
A própria Sociedade Brasileira de Dermatologia diferencia essas utilizações ao abordar o emprego da finasterida nas alopecias. A dose, entretanto, não deve ser escolhida apenas com base no problema percebido pelo paciente. O diagnóstico correto da queda de cabelo ou dos sintomas urinários é necessário antes do tratamento.

Quais são os efeitos colaterais mais importantes?
Os efeitos adversos mais conhecidos envolvem a função sexual. Algumas pessoas podem apresentar redução da libido, dificuldade de ereção ou alterações da ejaculação. Na hiperplasia prostática, a Sociedade Brasileira de Urologia cita diminuição da libido, disfunção erétil e alterações ejaculatórias entre os efeitos associados aos inibidores da 5-alfa-redutase.
Em alerta de farmacovigilância, a Anvisa também chamou atenção para disfunção sexual, alterações de humor, depressão e pensamentos suicidas associados ao uso oral de finasterida e dutasterida. A agência ressaltou, porém, que os benefícios continuam superando os riscos nos usos aprovados.
Os efeitos podem continuar depois que o remédio é suspenso?
Essa é uma das principais dúvidas relacionadas ao medicamento. Há relatos de sintomas sexuais, físicos e neuropsiquiátricos persistindo depois da interrupção da finasterida, tema frequentemente chamado de síndrome pós-finasterida. Entretanto, a relação entre o medicamento e todos esses sintomas permanece motivo de discussão científica.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca que os resultados dos estudos sobre essa possível síndrome são heterogêneos e devem ser interpretados com cautela. Na prática, qualquer sintoma novo durante o tratamento deve ser relatado ao médico para que a relação risco-benefício seja reavaliada individualmente.

O que é importante saber antes de começar o tratamento?
Antes da prescrição, é importante informar ao médico outros medicamentos em uso, doenças prévias e sintomas já existentes. No caso da próstata aumentada, o acompanhamento também pode envolver avaliação dos sintomas urinários, volume prostático e PSA, já que a finasterida pode modificar os níveis desse marcador.
Para quem procura tratamento para queda de cabelo, a finasterida não é indicada para todos os tipos de alopecia. Por isso, é importante diferenciar alopecia androgenética de outras causas de queda de cabelo tratadas com finasterida ou de condições que exigem abordagens diferentes. Também não se deve aumentar a dose, interromper o tratamento ou trocar o medicamento sem orientação profissional.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas que utilizam finasterida e apresentam efeitos sexuais, alterações de humor ou outros sintomas relevantes devem conversar com o médico responsável para uma avaliação individual.








