Alterações em proteínas como a tau podem surgir no cérebro antes que o Alzheimer provoque demência evidente, o que tem colocado os biomarcadores no centro das pesquisas sobre diagnóstico precoce. Trabalhos da Universidade de São Paulo analisam principalmente a tau fosforilada, conhecida como p-tau, a tau total e a proteína beta-amiloide para identificar sinais biológicos da doença em fases mais iniciais. Esses achados podem tornar a investigação mais precisa, mas não significam que exista um exame isolado capaz de prever com certeza quem desenvolverá Alzheimer.
Qual proteína está relacionada às alterações do Alzheimer?
A proteína tau existe normalmente nos neurônios e participa da manutenção de estruturas importantes para essas células. No Alzheimer, porém, ela pode sofrer alterações, como a fosforilação excessiva, e se acumular de maneira anormal. Por isso, formas modificadas da proteína, especialmente a p-tau, vêm sendo avaliadas como biomarcadores da doença.
Em uma pesquisa de doutorado da Faculdade de Medicina da USP publicada em 2025, pesquisadores analisaram biomarcadores como beta-amiloide 42, p-tau e tau total, em conjunto com informações clínicas e exames de imagem, para estudar os desafios do diagnóstico precoce do Alzheimer.
Como um biomarcador pode revelar a doença mais cedo?
Biomarcador é uma característica biológica mensurável que oferece pistas sobre o que está acontecendo no organismo. No Alzheimer, algumas dessas alterações podem começar anos antes de a pessoa apresentar perda importante de autonomia. Entre os marcadores investigados estão a redução de determinadas formas de beta-amiloide e o aumento de tau e p-tau no líquido cefalorraquidiano.
Uma revisão publicada na Revista de Medicina da USP destacou que a combinação de beta-amiloide, tau, p-tau e biomarcadores sanguíneos apresenta potencial para tornar a identificação do Alzheimer mais precoce e precisa. A interpretação, entretanto, precisa ser feita junto com sintomas, avaliação cognitiva e outros exames.

Isso significa que um exame de sangue poderá diagnosticar Alzheimer?
Esse é um dos caminhos mais estudados atualmente. Encontrar proteínas relacionadas à doença no sangue é atraente porque a coleta é mais simples do que a análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por punção lombar, e pode ser mais acessível do que determinados exames de imagem.
Entre os biomarcadores estudados estão:
- formas fosforiladas da proteína tau, como a p-tau;
- beta-amiloide;
- proteínas relacionadas à degeneração dos neurônios;
- combinações de marcadores biológicos com testes de memória e outros exames.
No entanto, um resultado alterado não deve ser interpretado sozinho como diagnóstico de Alzheimer. A presença ou a mudança de um biomarcador precisa ser analisada dentro do contexto clínico de cada pessoa.
Por que descobrir a doença mais cedo pode fazer diferença?
A investigação precoce pode ajudar a diferenciar Alzheimer de outras causas de alteração da memória e acompanhar com mais precisão pessoas que já apresentam comprometimento cognitivo. Também é importante para pesquisas clínicas, pois permite identificar indivíduos em fases nas quais as alterações cerebrais já começaram, mas a perda funcional ainda pode ser pequena.
Isso não significa que esquecimentos ocasionais indiquem Alzheimer. Problemas de sono, depressão, ansiedade, deficiência de vitaminas, alterações da tireoide e efeitos de medicamentos também podem interferir na memória. No Tua Saúde, é possível entender melhor os sintomas do Alzheimer e como é feita a avaliação da doença.

O biomarcador muda o tratamento do Alzheimer?
Os biomarcadores podem ajudar a confirmar se determinadas alterações biológicas compatíveis com Alzheimer estão presentes e a selecionar pacientes para tratamentos ou estudos específicos. Porém, identificar uma proteína associada à doença não representa descobrir sua cura nem permite determinar exatamente como ela evoluirá em cada pessoa.
Alterações persistentes de memória, dificuldade para executar tarefas antes habituais, desorientação ou mudanças cognitivas progressivas devem ser avaliadas por um médico. A investigação pode incluir entrevista clínica, testes cognitivos, exames laboratoriais, exames de imagem e, em situações selecionadas, biomarcadores. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.








