Observar e tocar as próprias mamas ajuda a reconhecer o que é normal para cada pessoa e perceber mudanças que merecem avaliação médica. No entanto, o autoexame não é considerado um método de rastreamento capaz de substituir a mamografia. Atualmente, o INCA prioriza o conhecimento das mamas no dia a dia, sem exigir uma técnica rígida ou uma palpação mensal obrigatória.
Como observar e palpar as mamas?
A ideia é conhecer o formato, a consistência e as características habituais das mamas. Em frente ao espelho, observe-as primeiro com os braços relaxados e depois levantados, procurando alterações recentes no formato, pele ou mamilos. A palpação pode ser feita durante o banho, em pé ou deitada, usando a polpa dos dedos para percorrer toda a mama e a região próxima das axilas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o mais importante é olhar, palpar e sentir as mamas no cotidiano para reconhecer suas variações naturais. Entre as alterações que merecem avaliação estão:
- nódulo ou área endurecida diferente do restante da mama;
- retração ou aspecto de casca de laranja na pele;
- mudança recente no formato ou posição do mamilo;
- saída espontânea de líquido pelo mamilo;
- vermelhidão persistente;
- caroço na axila ou no pescoço.
Com que frequência o autoexame deve ser feito?
Essa orientação mudou ao longo dos anos. Antigamente, ensinava-se uma sequência específica de autoexame para ser repetida todos os meses. As Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama do INCA, porém, recomendam contra o ensino do autoexame como método de rastreamento, porque os estudos não demonstraram redução da mortalidade por câncer de mama.
Por isso, a orientação atual do INCA é estar atenta às mamas no dia a dia, sem necessidade de marcar obrigatoriamente um dia por mês. A pessoa pode observá-las ao se trocar, durante o banho ou sempre que se sentir confortável. Há um passo a passo mais detalhado sobre como observar e palpar as mamas.

Existe um momento melhor do ciclo menstrual?
As mamas podem ficar mais inchadas, doloridas ou apresentar áreas que parecem mais endurecidas nos dias que antecedem a menstruação devido às variações hormonais. Por isso, para quem menstrua e prefere reservar um momento específico para fazer uma palpação mais cuidadosa, o período após a menstruação tende a facilitar a percepção das características habituais da mama.
Material educativo da Sociedade Brasileira de Mastologia orienta realizar essa observação cerca de sete dias após a menstruação. Quem não menstrua pode escolher um momento confortável para conhecer as próprias mamas, sem que isso transforme a prática em substituta dos exames de rastreamento.
Por que o autoexame não substitui a mamografia?
Um dos principais limites da palpação é que algumas alterações são pequenas demais para serem sentidas. A mamografia consegue mostrar nódulos, microcalcificações e outras alterações antes que sejam perceptíveis ao toque. Por isso, sentir as mamas normais não garante que não exista uma alteração inicial.
A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual dos 40 aos 74 anos para mulheres com risco habitual. Já o Ministério da Saúde e o INCA orientam, desde setembro de 2025, rastreamento populacional bienal prioritário dos 50 aos 74 anos, permitindo o exame dos 40 aos 49 anos após orientação sobre riscos e benefícios. Histórico familiar e outros fatores de risco podem modificar essa programação.

O que fazer quando aparece alguma mudança?
Encontrar um caroço não significa automaticamente câncer. Cistos, alterações hormonais e outras condições benignas também podem modificar as mamas. Mesmo assim, uma alteração nova ou persistente deve ser examinada por um ginecologista ou mastologista, independentemente da idade ou da data da última mamografia.
Também não é necessário esperar o próximo autoexame ou exame de rotina se surgir nódulo persistente, secreção espontânea pelo mamilo, retração da pele ou outra mudança diferente do padrão habitual. O autoconhecimento das mamas serve principalmente para perceber essas mudanças mais cedo e procurar avaliação adequada.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A idade para iniciar a mamografia e a frequência do rastreamento devem considerar as recomendações vigentes e o risco individual.








