Um estudo publicado em 2026 investigou se o maior consumo de alimentos ultraprocessados estava relacionado a alterações em diferentes áreas da cognição de adultos mais velhos, incluindo memória, velocidade de processamento e função executiva. Os resultados sugeriram associação entre maior ingestão desses produtos e pior desempenho em alguns domínios cognitivos, mas não provam que os ultraprocessados sejam a causa direta do problema. Ainda assim, a pesquisa reforça a importância de observar a qualidade da alimentação ao longo do envelhecimento.
O que são alimentos ultraprocessados?
Alimentos ultraprocessados são formulações industriais produzidas com vários ingredientes, como açúcares, gorduras, amidos modificados, aromatizantes, corantes e outros aditivos. Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo e alguns produtos prontos para consumo entram nessa categoria.
Esses alimentos costumam apresentar alta densidade energética e menor quantidade de fibras, vitaminas e minerais quando substituem preparações feitas com alimentos in natura. Uma alimentação baseada principalmente em alimentos ultraprocessados também pode dificultar a manutenção de um padrão alimentar equilibrado.
O que o estudo de 2026 avaliou?
O estudo Ultra-processed food intake and cognitive decline in older adults, publicado no European Journal of Nutrition, analisou dados de 1.371 adultos holandeses com 55 anos ou mais acompanhados pelo Longitudinal Aging Study Amsterdam.
Segundo o estudo, publicado no European Journal of Nutrition, os pesquisadores avaliaram a alimentação e acompanharam a cognição por aproximadamente dez anos, utilizando testes de cognição global, memória episódica, velocidade de processamento de informações e função executiva. Os alimentos foram classificados de acordo com o sistema NOVA.

Quais áreas da cognição foram analisadas?
Os pesquisadores procuraram identificar se uma maior participação de ultraprocessados na dieta estava relacionada a mudanças específicas no funcionamento mental:
- Memória episódica: capacidade de lembrar palavras, situações e acontecimentos recentes.
- Função executiva: envolve planejamento, organização, atenção e controle de tarefas.
- Velocidade de processamento: mede a rapidez com que o cérebro interpreta e responde a informações.
- Cognição global: avaliação mais ampla de diferentes habilidades cognitivas.
- Fluência verbal: capacidade de acessar e produzir palavras de forma rápida e organizada.
Maior consumo significa que os ultraprocessados causam perda de memória?
Não. Os achados devem ser interpretados como uma associação. Estudos observacionais conseguem identificar padrões entre alimentação e saúde, mas não demonstram que um único fator seja responsável pela mudança cognitiva. Idade, escolaridade, atividade física, doenças cardiovasculares, qualidade geral da dieta e outros hábitos também podem interferir nos resultados.
Outro estudo de 2026 realizado com adultos mais velhos dos Estados Unidos encontrou uma tendência de maior comprometimento da função executiva entre participantes que consumiam mais ultraprocessados, mas não observou associação significativa com todos os outros domínios cognitivos analisados. Isso mostra que os resultados ainda não são uniformes.

Como reduzir ultraprocessados sem mudar toda a alimentação de uma vez?
Algumas substituições simples podem diminuir gradualmente a participação desses produtos no cardápio:
- trocar refrigerantes e bebidas açucaradas por água, café ou bebidas sem adição de açúcar;
- priorizar frutas no lugar de biscoitos e doces frequentes;
- usar arroz, feijão, legumes, ovos, carnes e preparações caseiras como base das refeições;
- substituir salgadinhos e lanches industrializados por castanhas, frutas ou iogurte natural;
- ler a lista de ingredientes e evitar depender diariamente de produtos com muitos componentes industriais.
Uma alimentação saudável rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijão e fontes adequadas de proteína também fornece nutrientes associados à saúde cerebral. Uma revisão sistemática publicada em 2026 observou que a maioria dos estudos avaliados encontrou associação entre maior consumo de ultraprocessados e piores desfechos cognitivos, mas destacou que ainda são necessários estudos experimentais para esclarecer causalidade.
Assim, reduzir ultraprocessados pode ser uma medida útil dentro de um conjunto de hábitos que inclui atividade física, sono adequado, controle da pressão e acompanhamento de doenças metabólicas. Dificuldade progressiva de memória, desorientação ou alterações importantes de comportamento devem ser avaliadas por um médico para investigar outras possíveis causas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico ou outro profissional de saúde qualificado.









