O chá de casca de romã é um remédio natural utilizado há séculos na medicina tradicional, especialmente para aliviar inflamações na garganta e desconfortos intestinais. A casca dessa fruta concentra uma quantidade expressiva de taninos e compostos antioxidantes, superando até mesmo a polpa em termos de substâncias bioativas. Embora algumas promessas sobre essa bebida sejam exageradas, existem evidências científicas que sustentam alguns de seus benefícios, tornando importante entender o que realmente funciona e como consumir o chá de forma segura.
Por que a casca da romã concentra tantos compostos medicinais?
A casca da romã representa cerca de 26% a 30% do peso total da fruta e é considerada a parte mais rica em substâncias bioativas. Ela contém altas concentrações de taninos hidrolisáveis, especialmente a punicalagina, que é o composto característico dessa fruta. O teor de taninos na casca varia entre 193 e 420 miligramas por grama de matéria seca, enquanto os flavonoides somam entre 84 e 134 miligramas.
Além dos taninos, a casca é fonte de ácido elágico, ácido gálico, flavonoides e antocianinas. Esses compostos conferem à casca propriedades antioxidantes potentes, capazes de neutralizar os radicais livres e proteger as células contra danos oxidativos.
Como o chá atua nas inflamações de garganta e mucosa intestinal?
Os taninos presentes na casca da romã possuem propriedades adstringentes que ajudam a contrair os tecidos da mucosa, reduzindo a inflamação e criando uma barreira protetora. Por esse motivo, o chá tem sido tradicionalmente utilizado para aliviar dores de garganta, faringites e irritações na laringe. O gargarejo com o chá morno pode ajudar a diminuir o desconforto e combater microrganismos presentes na região.
Em relação ao intestino, os taninos ajudam a diminuir a inflamação da mucosa, apertar o revestimento intestinal e reduzir o inchaço. Por isso, o chá é indicado popularmente para casos de desconfortos digestivos, diarreia leve e hemorroidas. Contudo, é importante lembrar que essas indicações são baseadas no uso tradicional e que o chá não substitui o tratamento médico.

Revisão científica confirma o potencial antioxidante e anti-inflamatório da casca
Os benefícios atribuídos à casca da romã encontram respaldo em pesquisas científicas recentes. Segundo a revisão “Pomegranate Peel as a Source of Bioactive Compounds: A Mini Review on Their Physiological Functions”, publicada na revista Frontiers in Nutrition em 2022, a casca da romã é rica em substâncias fenólicas como taninos, flavonoides e ácidos fenólicos. A revisão demonstrou que esses compostos atuam como antioxidantes ao melhorar biomarcadores de estresse oxidativo e neutralizar espécies reativas de oxigênio. Os pesquisadores também destacaram funções anti-inflamatórias, antimicrobianas e de proteção cardiovascular associadas a esses compostos.
Principais benefícios associados ao chá de casca de romã
Os compostos bioativos presentes na casca da romã oferecem uma variedade de efeitos que podem contribuir para a saúde quando o chá é consumido com moderação. Entre os principais benefícios estudados, destacam-se:

Como preparar o chá e cuidados no consumo?
O preparo do chá de casca de romã é simples e pode ser feito em casa com cascas frescas ou secas. Para obter os benefícios da bebida de forma segura, siga as orientações a seguir:
- Utilize a casca de uma romã para cada litro de água
- Lave bem as cascas e coloque em uma panela com água fria
- Leve ao fogo e deixe ferver por 5 minutos
- Desligue o fogo, tampe e deixe em infusão por mais 10 minutos
- Coe e consuma morno, limitando o consumo a 2 ou 3 xícaras por dia
Apesar dos benefícios, o consumo excessivo do chá pode causar efeitos indesejados como náuseas, vômitos ou irritação no estômago, devido à presença de alcaloides. Gestantes, lactantes, pessoas com gastrite ou úlceras e aquelas em uso de medicamentos para pressão devem evitar o consumo sem orientação médica. Quem utiliza anticoagulantes também deve ter cautela, pois a romã pode interferir na coagulação sanguínea.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Antes de utilizar qualquer planta medicinal, consulte um profissional de saúde.









