A genética herdada de nossos ancestrais pode ter um papel importante na longevidade extrema. Uma descoberta recente revelou que pessoas centenárias carregam uma proporção maior de material genético de antigos caçadores-coletores europeus, o que pode ajudar a explicar por que algumas pessoas conseguem ultrapassar a marca dos 100 anos de vida. Essa conexão entre o passado distante e o envelhecimento saudável abre novas perspectivas sobre como a herança genética influencia nossa capacidade de viver mais.
O que o estudo descobriu sobre DNA e longevidade?
Pesquisadores da Universidade de Bolonha, na Itália, analisaram o material genético de 333 centenários italianos e compararam com o de 690 adultos saudáveis de meia-idade. Os resultados mostraram que os centenários possuem uma proporção significativamente maior de ancestralidade dos chamados Caçadores-Coletores do Oeste Europeu, um grupo que habitou a Europa após a última Era do Gelo, há cerca de 14 mil anos.
De acordo com os dados, cada pequeno aumento na proporção desse DNA ancestral estava associado a uma chance 38% maior de chegar aos 100 anos. Esse efeito foi ainda mais evidente entre as mulheres.
Por que genes da Era do Gelo podem favorecer uma vida longa?
Os cientistas acreditam que as variantes genéticas herdadas desses ancestrais foram selecionadas durante o último período glacial, quando sobreviver exigia uma grande capacidade de adaptação a condições extremas. Essas características podem ter favorecido um metabolismo mais eficiente e um sistema imunológico mais resistente a infecções e ao envelhecimento.
Atualmente, essas mesmas variantes podem ajudar a controlar a inflamação crônica que surge com a idade, um processo conhecido pelos pesquisadores como fator de risco para doenças cardíacas, diabetes e demência.

Estudo publicado na GeroScience confirma a relação entre ancestralidade e envelhecimento
A relação entre DNA ancestral e longevidade foi documentada em pesquisa científica recente. Segundo o estudo Western Hunter-Gatherer genetic ancestry contributes to human longevity in the Italian population, publicado na revista GeroScience em 2025, centenários italianos apresentam uma afinidade genética maior com os Caçadores-Coletores do Oeste Europeu em comparação com a população geral. A pesquisa demonstrou que essa ancestralidade pré-neolítica pode ser benéfica para a longevidade nos dias de hoje.
Fatores que contribuem para viver mais e melhor
Embora a genética tenha um papel relevante, o estilo de vida continua sendo fundamental para quem deseja envelhecer com saúde. Algumas práticas comprovadamente associadas à longevidade incluem:

Para saber mais sobre como adotar hábitos que favorecem uma vida longa e saudável, confira o conteúdo completo sobre longevidade no Tua Saúde.
Genética e hábitos de vida atuam juntos no envelhecimento
Os pesquisadores ressaltam que a ancestralidade não é destino. A longevidade humana depende de múltiplos fatores, incluindo alimentação, qualidade do sono, nível de estresse e acesso a cuidados de saúde ao longo da vida. O DNA ancestral pode oferecer uma vantagem, mas as escolhas diárias continuam sendo decisivas para quem deseja alcançar a terceira idade com autonomia e bem-estar.
Importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico. Para orientações sobre saúde e envelhecimento, procure um profissional qualificado.









