A dengue é uma das doenças transmitidas por mosquitos mais comuns no Brasil e no mundo, mas muitas pessoas ainda não sabem reconhecer quando a febre é sinal de um caso simples ou quando exige atenção urgente. Transmitida pela picada da fêmea do Aedes aegypti, a doença pode evoluir para formas graves e até fatais, especialmente em quem já teve dengue antes. Entender os sintomas, saber o que fazer e conhecer as medidas de prevenção pode fazer toda a diferença no momento certo.
O que é a dengue e como ela é transmitida
A dengue é causada por um vírus com quatro variações diferentes, chamados sorotipos. Isso significa que a mesma pessoa pode contrair a doença até quatro vezes ao longo da vida, uma para cada tipo. A transmissão ocorre pela picada da fêmea do Aedes aegypti, mosquito urbano e diurno que se reproduz em água parada. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 8 mil novos casos de lesão medular por ano, e o país também lidera os números globais de dengue, com mais de 6 milhões de casos prováveis apenas no primeiro semestre de 2024.
O vírus não se transmite de pessoa para pessoa por contato direto. Apenas o mosquito infectado é capaz de passar a doença. A infecção por um sorotipo gera imunidade permanente apenas contra aquele tipo, o que explica por que reinfecções podem ser mais graves do que o primeiro contato com o vírus.

Quais são os sintomas da dengue
Os sintomas costumam aparecer entre 4 e 10 dias após a picada do mosquito infectado. O início é geralmente abrupto, com febre alta que pode chegar a 40°C. A maioria dos casos evolui de forma leve e se resolve em até 10 dias, mas é fundamental ficar atento aos sinais que indicam piora. Os sintomas mais comuns são:
- Febre alta e de início repentino (entre 39°C e 40°C);
- Dor de cabeça intensa;
- Dor atrás dos olhos;
- Dores musculares e nas articulações;
- Náuseas e vômitos;
- Manchas vermelhas na pele;
- Cansaço e prostração.
Sinais de alarme que exigem atenção imediata
Entre o terceiro e o sétimo dia da doença, quando a febre começa a ceder, é que os riscos aumentam. Esse é o período mais perigoso, porque os sinais de agravamento podem surgir justamente quando a pessoa acredita estar melhorando. Qualquer um dos sinais abaixo deve levar imediatamente a uma unidade de saúde:
- Dor abdominal intensa e persistente;
- Vômitos repetidos;
- Sangramentos em gengivas, nariz ou manchas roxas na pele;
- Sonolência excessiva ou agitação;
- Pressão baixa ou tontura ao levantar;
- Queda brusca da temperatura após dias de febre alta.

O que um estudo científico revela sobre a gravidade da dengue no Brasil
A dimensão da epidemia brasileira foi documentada em detalhes pela comunidade científica. Segundo o artigo The greatest Dengue epidemic in Brazil: Surveillance, Prevention, and Control, publicado em 2024 na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (RSBMT), a epidemia de 2024 superou todas as anteriores em número de casos e mortalidade, afetando todas as regiões do país. Os autores destacam que a combinação de fatores climáticos, como aumento de temperatura e chuvas irregulares, com a resistência crescente do mosquito a inseticidas, tornou o controle da dengue mais desafiador do que em qualquer outro momento das últimas décadas. O estudo reforça que o reconhecimento precoce dos sintomas e a organização dos serviços de saúde são determinantes para evitar mortes, já que a quase totalidade dos óbitos por dengue é considerada evitável.
Como prevenir a dengue e o que fazer se tiver sintomas
Não existe medicamento específico para combater o vírus da dengue. O tratamento é voltado para o alívio dos sintomas, com repouso, hidratação e uso de antitérmicos indicados pelo médico. É essencial evitar o uso de ácido acetilsalicílico (como a aspirina), pois esse medicamento aumenta o risco de sangramento. Em casos graves, pode ser necessária internação para hidratação intravenosa e monitoramento. Em fevereiro de 2024, o Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer a vacina contra a dengue no calendário público de vacinação, mas o controle do mosquito segue sendo a principal estratégia de prevenção. Algumas medidas simples podem ajudar a eliminar os criadouros do Aedes aegypti: tampar caixas d’água e tonéis, esvaziar pratos de vasos de plantas, descartar pneus e embalagens que acumulam água, e trocar a água de bebedouros de animais regularmente são atitudes que fazem diferença direta na prevenção. Ao primeiro sinal de febre acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo ou manchas na pele, procure imediatamente um médico ou a unidade básica de saúde mais próxima para avaliação e orientação adequada.









