O mpox, anteriormente chamado de varíola dos macacos, é uma doença viral causada pelo vírus MPXV, da mesma família do vírus da varíola comum. Na grande maioria dos casos, a doença segue um curso leve a moderado e se resolve por conta própria em duas a quatro semanas — mas entender como o tratamento funciona, quando ele é necessário e quem precisa de cuidado mais intensivo é fundamental para agir com segurança diante de um diagnóstico ou suspeita da doença.
O tratamento do mpox é principalmente de suporte
Até o momento, não existe um medicamento aprovado especificamente para tratar o mpox. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) orientam que o tratamento seja baseado em suporte clínico: alívio dos sintomas, prevenção de complicações e cuidados com as lesões de pele. Na prática, isso significa controle da dor e da febre com analgésicos como dipirona e paracetamol, hidratação adequada e higiene cuidadosa das feridas para evitar infecções secundárias por bactérias.
O isolamento do paciente também faz parte do tratamento, já que impede a transmissão do vírus para outras pessoas por meio do contato com as lesões, secreções corporais e objetos contaminados. A maioria dos casos registrados no Brasil em 2025 e 2026 evoluiu para cura sem necessidade de internação ou medicamentos antivirais específicos.

O que se sabe sobre o antiviral tecovirimat
O tecovirimat, também conhecido pelo nome comercial TPOXX, é o antiviral mais estudado para o tratamento do mpox no mundo. Desenvolvido originalmente para a varíola comum, ele age bloqueando a liberação de partículas virais pelas células infectadas, dificultando a disseminação do vírus pelo organismo. A Anvisa autorizou sua importação e uso pelo Ministério da Saúde no Brasil desde 2022, de forma restrita a casos graves e critérios clínicos específicos.
No entanto, dois grandes ensaios clínicos randomizados conduzidos pelo NIH — o PALM007, realizado na República Democrática do Congo, e o STOMP, realizado nos Estados Unidos e outros países — mostraram, em 2024, que o tecovirimat foi seguro e bem tolerado, mas não reduziu o tempo de resolução das lesões nem melhorou o controle da dor em pacientes com mpox leve a moderado quando comparado ao placebo. Isso reforçou a orientação de que o medicamento seja reservado para situações de maior gravidade, sempre com acompanhamento médico.
Um estudo científico que mudou a visão sobre o tratamento do mpox
A compreensão atual sobre o tratamento do mpox foi diretamente impactada pelas conclusões dos ensaios clínicos publicados em 2024. O estudo de referência mais importante nesse contexto é o ensaio randomizado e controlado PALM007, conduzido pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), dos Estados Unidos, em parceria com o Institut National de Recherche Biomédicale (INRB) da República Democrática do Congo, com resultados divulgados em agosto de 2024. Segundo esse ensaio clínico de fase 3, publicado nos comunicados oficiais do NIH, o tecovirimat foi seguro, mas não demonstrou eficácia superior ao placebo na redução das lesões causadas pelo mpox — dados que motivaram o encerramento do protocolo de acesso expandido do medicamento para casos leves e reorientaram a pesquisa global em busca de novas abordagens terapêuticas para a doença.
Quem precisa de tratamento mais intensivo
Embora a maioria dos pacientes se recupere sem complicações, alguns grupos apresentam risco maior de desenvolver formas graves da doença e podem precisar de cuidados adicionais, incluindo hospitalização e o uso de antivirais como o tecovirimat em caráter compassivo. Os grupos que merecem atenção especial incluem:
- Pessoas com HIV/aids com imunossupressão grave (contagem de linfócitos T CD4 abaixo de 200), que têm maior risco de complicações e lesões extensas.
- Crianças pequenas, especialmente lactentes, que podem desenvolver formas mais severas da doença.
- Gestantes, pelo risco de transmissão vertical para o feto e complicações associadas à gravidez.
- Pessoas com condições de pele ativas, como eczema, dermatite atópica severa ou queimaduras, que podem apresentar disseminação mais ampla das lesões.
- Pacientes com lesões hemorrágicas, encefalite ou sepse, condições que indicam formas graves da doença e exigem internação imediata.

Cuidados práticos durante a recuperação em casa
Para os casos leves, que representam a grande maioria, a recuperação acontece em casa com cuidados simples e bem definidos. As lesões não devem ser perfuradas ou arranhadas, pois isso aumenta o risco de infecção bacteriana e prolonga a cicatrização. Manter a pele limpa e seca, trocar curativos quando necessário e lavar as mãos com frequência são medidas essenciais. O paciente deve permanecer em isolamento até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas, o que geralmente ocorre entre duas e quatro semanas após o início dos sintomas. Roupas de cama, toalhas e utensílios de uso pessoal não devem ser compartilhados durante esse período.
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a avaliação médica. Diante de sintomas compatíveis com mpox — como febre, gânglios inchados e erupções cutâneas com bolhas — procure uma unidade de saúde para diagnóstico e orientação. O SUS está preparado para atender, diagnosticar e acompanhar os casos da doença em todo o Brasil.









