A madreselva (Lonicera japonica) é uma planta trepadeira usada há séculos na medicina tradicional chinesa e japonesa — e hoje é uma das plantas medicinais com maior número de compostos bioativos identificados e estudados pela ciência moderna. Com mais de 140 substâncias ativas documentadas, incluindo ácido clorogênico, luteolina, flavonoides e iridoides, ela reúne em uma única planta propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, antivirais e hepatoprotetoras que explicam sua longevidade como recurso terapêutico. O que antes era tradição, hoje é corroborado por ensaios laboratoriais, estudos em modelos animais e pesquisas farmacológicas publicadas nas principais revistas científicas do mundo.
Por que a madreselva é considerada uma planta de alto valor medicinal?
O diferencial da Lonicera japonica está na variedade e na concentração dos compostos que produz naturalmente. Seus botões florais e folhas são ricos em ácido clorogênico — um potente antioxidante que neutraliza os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento celular — e em luteolina e quercetina, flavonoides com ação anti-inflamatória documentada em modelos que estudam doenças como artrite, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A planta é usada tanto em infusões e extratos internos quanto em aplicações tópicas para inflamações de pele, feridas e afecções respiratórias.
O que a revisão científica confirma sobre as propriedades da madreselva?
A revisão abrangente Lonicera japonica Thunb.: Ethnopharmacology, Phytochemistry and Pharmacology of an Important Traditional Chinese Medicine, publicada no PubMed Central (PMC) / Journal of Ethnopharmacology em 2020, catalogou mais de 140 compostos químicos isolados da planta e sistematizou décadas de evidências sobre suas propriedades farmacológicas. A revisão confirma que extratos de Lonicera japonica apresentam efeitos anti-inflamatórios por meio da inibição das enzimas COX e das vias de sinalização NF-κB — as mesmas rotas bloqueadas por anti-inflamatórios comuns — além de atividade antioxidante, antibacteriana, antiviral e hepatoprotetora demonstrada em múltiplos modelos experimentais. Os autores destacam que o ácido clorogênico e os flavonoides são os principais responsáveis por esses efeitos terapêuticos.

Principais benefícios comprovados da madreselva para a saúde
A amplitude dos compostos bioativos presentes na madreselva se traduz em benefícios que cobrem diferentes sistemas do organismo. Os mais bem documentados pela literatura científica incluem:
AÇÃO ANTI-INFLAMATÓRIA
Compostos como luteolina e iridoides inibem citocinas inflamatórias (TNF-α, IL-6 e IL-1β), com relevância em doenças articulares crônicas.
PROTEÇÃO ANTIOXIDANTE
O ácido clorogênico neutraliza radicais livres e ativa enzimas antioxidantes como a superóxido dismutase (SOD).
AÇÃO ANTIMICROBIANA
Extratos demonstraram atividade contra vírus influenza, herpes e coronavírus, além de ação antibacteriana contra S. aureus e E. coli.
PROTEÇÃO HEPÁTICA
Pode reduzir níveis de ALT e AST, protegendo as células do fígado contra lesões induzidas por toxinas.
IMUNIDADE
Extratos da flor podem estimular células NK (natural killers), fortalecendo a defesa contra vírus e células tumorais.
Como usar a madreselva de forma segura e eficaz?
A forma mais tradicional e acessível de usar a madreselva é o chá preparado com os botões florais secos — chamados na medicina chinesa de Jin Yin Hua. Para preparar, basta adicionar 1 a 2 colheres de chá de flores secas em 250 ml de água quente (não fervente, cerca de 80 °C) e deixar em infusão por 5 a 10 minutos antes de coar e consumir. O chá pode ser tomado até duas vezes ao dia, preferencialmente entre as refeições. Extratos padronizados em cápsulas também estão disponíveis em lojas de produtos naturais, com concentrações variáveis de ácido clorogênico.
Precauções importantes antes de usar a madreselva
Apesar do perfil de segurança favorável nos estudos revisados, a madreselva exige atenção em alguns contextos específicos. É fundamental destacar que nem todas as espécies do gênero Lonicera são comestíveis — algumas variedades produzem bagas tóxicas, como a Lonicera xylosteum, e sua ingestão pode causar náuseas, vômitos e problemas gastrointestinais sérios. Apenas a Lonicera japonica e a Lonicera caerulea são amplamente reconhecidas como seguras para uso medicinal e alimentar.
Gestantes, mulheres em amamentação, crianças pequenas e pessoas em uso de medicamentos imunossupressores ou anticoagulantes devem consultar um médico ou farmacêutico antes de usar a madreselva em qualquer forma, pois interações com medicamentos são possíveis. Em caso de doenças inflamatórias crônicas como artrite, o uso da planta deve ser tratado como recurso complementar — nunca como substituto ao tratamento médico estabelecido.









