Avanços recentes em biomarcadores sanguíneos permitiram identificar quatro padrões biológicos distintos que podem sinalizar o desenvolvimento da doença de Alzheimer até dezesseis anos antes dos primeiros sintomas clínicos se manifestarem. Estudos publicados em 2024 e 2025 demonstram que níveis elevados de proteína tau fosforilada, proteína glial fibrilar ácida, cadeia leve de neurofilamento e alterações na razão entre diferentes formas de beta-amiloide constituem marcadores precoces robustos, revolucionando a capacidade de detectar a doença em seus estágios mais iniciais quando intervenções podem ser mais eficazes.
Os quatro biomarcadores que revelam Alzheimer precoce
A pesquisa científica mais recente identificou quatro padrões biológicos mensuráveis no sangue que sinalizam o desenvolvimento da doença de Alzheimer muito antes dos sintomas aparecerem. O primeiro padrão envolve a tau fosforilada, especialmente nas posições 181 e 217, proteína que se acumula anormalmente nos neurônios formando emaranhados neurofibrilares característicos da doença.
O segundo e terceiro padrões incluem a proteína glial fibrilar ácida, marcador de ativação de astrócitos e neuroinflamação, e a cadeia leve de neurofilamento, que indica degeneração axonal e dano neuronal ativo. O quarto padrão relaciona-se à razão diminuída entre beta-amiloide 42 e beta-amiloide 40, refletindo o acúmulo de placas amiloides no cérebro, processo que pode começar décadas antes dos sintomas cognitivos se manifestarem.

Estudo científico comprova capacidade preditiva dos biomarcadores sanguíneos
A eficácia desses biomarcadores na predição precoce do Alzheimer foi confirmada em um importante estudo de coorte publicado na revista Nature Medicine em março de 2025. Segundo o estudo publicado na Nature Medicine, que acompanhou dois mil cento e quarenta e oito adultos idosos da Suécia por até dezesseis anos, níveis elevados de tau fosforilada nos pontos 181 e 217, proteína glial fibrilar ácida e cadeia leve de neurofilamento demonstraram forte capacidade preditiva para demência.
A pesquisa revelou que esses biomarcadores sanguíneos alcançaram desempenho preditivo excepcional, com área sob a curva variando de setenta vírgula nove a oitenta e dois vírgula seis por cento para demência em dez anos. Os níveis de tau fosforilada, especialmente a p-tau217, mostraram-se particularmente poderosos, com associação mais forte quando a análise foi restrita especificamente à demência por Alzheimer. Os pesquisadores concluíram que esses biomarcadores sanguíneos podem identificar indivíduos em risco até dezesseis anos antes do aparecimento dos sintomas clínicos, oferecendo uma janela crucial para intervenção precoce.
Sintomas cognitivos e comportamentais que acompanham os padrões biológicos
Enquanto os biomarcadores sanguíneos revelam mudanças biológicas invisíveis, alguns sinais clínicos sutis podem acompanhar esses padrões nas fases iniciais da doença:
MEMÓRIA RECENTE
Esquecimento de informações recentes, repetição de perguntas e maior dependência de lembretes.
DESORIENTAÇÃO
Confusão sobre datas, tempo ou locais familiares, com dificuldade de orientação.
PLANEJAMENTO
Dificuldade em organizar tarefas e seguir etapas, como pagar contas ou cozinhar.
LINGUAGEM
Problemas para encontrar palavras ou pausas frequentes durante conversas.
HUMOR E PERSONALIDADE
Ansiedade, apatia ou irritabilidade podem surgir de forma progressiva.
PERDA DE INICIATIVA
Desinteresse por atividades antes prazerosas ou redução do engajamento social.
HABILIDADES VISUAIS
Dificuldade em julgar distâncias ou reconhecer rostos familiares.
Avanços no diagnóstico precoce e acessibilidade dos testes
A transição do diagnóstico de Alzheimer baseado exclusivamente em sintomas clínicos para uma abordagem biológica representa uma revolução na medicina. Diretrizes atualizadas publicadas em 2024 pela Associação de Alzheimer incorporam oficialmente biomarcadores plasmáticos no critério diagnóstico, desde que demonstrem precisão mínima de noventa por cento na detecção de anormalidades amiloides comparado a exames PET cerebrais.
Esses exames de sangue são significativamente mais acessíveis, menos invasivos e mais baratos que punções lombares para coleta de líquido cefalorraquidiano ou tomografias PET amiloides, métodos anteriormente necessários para confirmação diagnóstica. A disponibilidade crescente de testes sanguíneos de alta precisão promete democratizar o acesso ao diagnóstico precoce, permitindo rastreamento populacional e identificação de candidatos ideais para terapias modificadoras de doença recentemente aprovadas.
Qual a importância da detecção precoce para tratamento eficaz?
A identificação dos quatro padrões biológicos antes do surgimento dos sintomas é crucial porque terapias recentemente aprovadas pela FDA, incluindo lecanemab e donanemab, demonstram maior eficácia quando iniciadas nos estágios iniciais da doença. Esses medicamentos, conhecidos como imunoterapias anti-amiloides, podem retardar significativamente o declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer leve ou comprometimento cognitivo leve devido a Alzheimer.
Além do tratamento farmacológico, a detecção precoce permite intervenções de estilo de vida que podem modificar a trajetória da doença. Exercícios físicos regulares, dieta mediterrânea, estimulação cognitiva, controle de fatores de risco cardiovascular como hipertensão e diabetes, e manutenção de engajamento social robusto demonstraram efeitos protetores contra declínio cognitivo. Iniciar essas modificações durante a fase pré-sintomática, quando os biomarcadores estão alterados mas os sintomas ainda não apareceram, oferece a melhor oportunidade de preservar a função cognitiva pelo maior tempo possível. Se você apresenta histórico familiar de Alzheimer ou fatores de risco como idade avançada, diabetes, hipertensão ou doença cardiovascular, consulte um neurologista ou geriatra para avaliação e discussão sobre rastreamento com biomarcadores sanguíneos.









