A Peste negra é uma infecção grave causada pela bactéria Yersinia pestis, que é transmitida através das pulgas de animais roedores aos seres humanos, causando sintomas como febre, dor de cabeça, ínguas, pressão baixa e batimentos cardíacos acelerados.
Essa infecção surgiu na idade média provocando a morte de quase 30% da população europeia. Hoje em dia é bastante rara e, no Brasil, os últimos três casos relatados em todo o país foram após o ano 2000, na Bahia, no Ceará e no Rio de Janeiro.
A Peste negra, também conhecida como Peste, pode causar síndromes como a Peste pneumônica, bubônica ou septicêmica, e deve ser tratada imediatamente assim que surgem os sintomas. Isso porque pessoas que não fazem o tratamento em 48 horas têm chances de cura muito reduzidas.
Sintomas da Peste negra
Os sintomas da Peste negra variam de acordo com o tipo de síndrome e incluem:
1. Peste bubônica
A Peste bubônica é o tipo mais conhecido de Peste e causa sintomas como:
- Lesão na pele, no local da picada da pulga;
- Febre repentina acima de 38º C;
- Arrepios constantes;
- Dor de cabeça intensa e dor no corpo;
- Cansaço excessivo, mal-estar e confusão mental;
- Falta de apetite, náuseas e vômitos;
- Olhos avermelhados;
- Ínguas muito inchadas e doloridas, junto do local da picada da pulga, chamadas de bubão.
A pessoa também pode apresentar batimentos cardíacos rápidos e irregulares, e pressão baixa. Esses sintomas podem surgir de 2 a 8 dias após o contato com a bactéria.
Devido a presença do bubão, essa síndrome também é conhecida como Peste bubônica, e se o tratamento não for iniciado rapidamente, a infecção pode se espalhar pelo sistema linfático, afetando todo o corpo.
2. Peste septicêmica
A síndrome septicêmica ou Peste septicêmica acontece quando a bactéria se multiplica no sangue, tendo os mesmos sintomas da síndrome bubônica, exceto pela presença do bubão.
Além dos sintomas da peste bubônica, é comum surgirem outros sinais como falta de ar, dificuldade para falar, hemorragias, dores generalizadas, necrose dos membros, coma e óbito.
Alguns locais da pele também podem ficar negros devido à morte dos tecidos, e por isso é conhecida como Peste negra, sendo que isso é mais comum no nariz e nos dedos dos pés e mãos.
3. Peste pneumônica
Além dos sintomas dos dois outros tipos, a Peste pneumônica também pode causar;
- Dificuldade para respirar;
- Respiração curta e rápida;
- Cianose;
- Tosse constante que pode conter sangue;
- Delírio e coma;
- Óbito.
Esses sintomas podem surgir de 1 a 3 dias após a infecção e ocorre mais frequentemente devido a disseminação do bubão para os vasos sanguíneos, atingindo os pulmões, sendo por isso também chamada de Peste pneumônica.
No entanto, também pode ser a fonte primária da infecção por inalação de partículas contaminadas pelas fezes de ratos.
Embora seja mais rara, este tipo de Peste é bastante perigosa, especialmente porque pode se espalhar através da tosse ou espirros entre as pessoas, em locais fechados e com ventilação artificial ou diminuída. Assim, pessoas com este a Peste pneumônica devem ficar em isolamento.
Como confirmar o diagnóstico
O diagnóstico de Peste negra é suspeitado pelo infectologista através da avaliação dos sintomas e informação fornecida pela pessoa relacionada ao seu hábito de vida, como por exemplo, se esteve em locais com casos da doença.
Para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar exames de escarro, sangue e/ou fluidos, assim como a biópsia de um pedaço de tecido retirado de uma íngua, por exemplo, com o objetivo de se identificar a presença da bactéria Yersinia pestis.
Leia também: Yersinia pestis: o que é, tratamento, transmissão (e ciclo de vida) tuasaude.com/tratamento-para-infeccao-por-yersinia-pestisComo acontece a transmissão
A transmissão da Peste negra ocorre através da picada de pulgas presentes em ratos contaminados com a bactéria Yersinia pestis. Assim, as pulgas são reservatórios da bactéria e quando picam o ser humano, transmitem a infecção.
Após entrar no corpo humano, a bactéria "engana" o sistema imunológico, chegando até os gânglios linfáticos, onde se multiplicam dentro dos macrófagos, provocando a liberação de substâncias pró-inflamatórias, resultando no sintomas.
Essa forma de transmissão pode causar todos os tipos de Peste negra, como a Peste pneumônica, bubônica ou septicêmica.
Embora seja mais raro, a Peste pneumônica também pode passar de uma pessoa para outra, através da inalação de gotículas contaminadas com a bactéria liberadas ao tossir ou espirrar, ou contato com sangue ou fluídos de outras pessoas ou animais infectados.
Como é feito o tratamento
O tratamento para qualquer um dos tipos da Peste negra deve ser feito com o uso de antibióticos indicados pelo infectologista, como gentamicina, estreptomicina, doxiciclina, tetraciclina ou cloranfenicol, por exemplo.
Durante o tratamento é preciso ficar internado no hospital em um quarto de isolamento, para evitar passar a doença para outras pessoas.
Idealmente, o tratamento deve ser iniciado logo que começam os primeiros sintomas já que existe risco da Peste levar à morte em menos de 24h, com maior risco as primeiras 15 horas após início dos sintomas.
Dessa forma, se existir qualquer suspeita da doença é muito importante ir rapidamente ao hospital para confirmar o diagnóstico e iniciar o uso do antibiótico.
Peste negra tem cura?
Sim, atualmente a Peste negra pode ser tratada com antibióticos, sobretudo quando é iniciado logo nos primeiros sintomas.
No entanto, se for tratada tardiamente, pode causar complicações graves e deixar sequelas, como danos em órgãos, necrose ou fadiga prolongada.
Como evitar pegar a Peste
A Peste negra pode ser prevenida através de medidas como:
- Evitar o acúmulo de lixo, especialmente de papelão e revistas velhas, para controlar a população de roedores;
- Passar produtos contra pulgas em animais domésticos, especialmente se esses animais saírem na rua;
- Passar repelente na pele para afastar insetos e pulgas que possam estar infectados.
No entanto, caso se apresente qualquer sinal ou sintoma suspeito de Peste deve-se ir imediatamente ao hospital.