Bullying: o que é, tipos, consequências (e como combater)

Bullying é o assédio moral ou a intimidação sistemática a uma pessoa de forma intencional e repetida na escola ou no trabalho, através de ações verbais, mensagens escritas e/ou abuso físico e psicológico, causando sofrimento e angústia para a vítima.

Essa situação é mais comum de acontecer na infância e na adolescência, resultando em baixo rendimento escolar, problemas psicológicos graves, baixa autoestima, isolamento e comportamentos suicidas, em alguns casos.

Leia também: Baixa autoestima: o que é, sintomas, causas (e como aumentar) tuasaude.com/como-aumentar-a-autoestima

Existem vários tipos de bullying que podem levar a pessoa a desenvolver transtornos psicológicos como ansiedade e depressão. Por isso, é importante que a vítima de bullying receba acompanhamento psicológico para aliviar os sintomas e as consequências da intimidação e do assédio constantes.

Mãe conversando com filha adolescente sobre buillyng

Bullying na escola

O Bullying na escola, ou bullying escolar, é um conjunto de comportamentos agressivos, repetitivos e com o objetivo de humilhar, intimidar ou causar danos.

O Bullying na escola é praticado por uma pessoa ou um grupo contra algum aluno mais vulnerável, introvertido ou com pouca rede de apoio.

Bullying no trabalho

O bullying no trabalho é caracterizado por ações ou comentários com o objetivo de ferir psicologicamente ou isolar uma pessoa no ambiente profissional.

Exemplos de bullying no trabalho incluem:

  • Ignorar a pessoa ou suas contribuições e excluí-la do convívio social;
  • Estabelecer prazos impossíveis, sobrecarregar o funcionário desproporcionalmente ou, esvaziar suas tarefas para causar um sentimento de inutilidade;
  • Espalhar rumores maliciosos, intrigas ou insinuações sobre a pessoa;
  • Impedir o acesso da pessoa a formações, promoções, licenças ou retirar responsabilidades sem uma causa justa;
  • Criticar com frequência o trabalho da pessoa e menosprezar suas opiniões;
  • Fazer comentários ofensivos disfarçados de piadas, gritar ou manipular pertences e equipamentos de trabalho. 

O bullying no trabalho pode acontecer pessoalmente, por telefone, por e-mails ou em redes sociais.

Tipos de bullying

De acordo com a forma como é praticado, os tipos de bullying são:

1. Cyberbullying

O cyberbullying, também conhecido como bullying virtual, é caracterizado por ataques verbais e psicológicos pelas redes sociais.

Nesse tipo de bullying a internet é a principal ferramenta de divulgação de fotos, vídeos ou comentários maldosos sobre a pessoa.

2. Bullying verbal

O bullying verbal é o tipo mais comum de bullying praticado nas escolas e que começa com um apelido maldoso, normalmente relacionado com alguma característica da pessoa.

Esse tipo de bullying é caracterizado por xingamentos e humilhações constantes, o que pode fazer com que aquela criança que sofreu bullying verbal cresça sem acreditar nas suas competências e tenham medo de se relacionar com outras pessoas.

3. Bullying social

No bullying social, a pessoa é constantemente isolada das atividades e do convívio diário com os colegas de trabalho ou da escola.

É difícil que apenas um tipo de bullying seja praticado, normalmente nas escolas podem ser percebidos bullying físico, psicológico, verbal e social. 

Apesar de ser algo relativamente comum nas escolas, o bullying pode acontecer em qualquer idade e em qualquer ambiente, pois qualquer comentário feito sobre outra pessoa e que possa interferir na sua vida pode ser considerado bullying.

4. Bullying físico

O bullying físico é caracterizado por violência física, ou seja, nesse tipo de bullying a vítima leva chutes, socos, pontapés ou tem a passagem bloqueada pelo simples fato de usar óculos, aparelho ou estar um pouco acima do peso, por exemplo.

Esse tipo de bullying é comum, mas passa muitas vezes despercebido pois pode ser interpretado como brincadeira de amigos, por exemplo.

5. Bullying psicológico

No bullying psicológico, a vítima sofre constantemente intimidações ou chantagens, além de ser frequentemente vítima de calúnias e boatos, além de perseguições no que diz respeito à orientação sexual, religião ou peso.

O bullying psicológico pode levar à depressão e ansiedade.

6. Bullying sexual

O bullying sexual é caracterizado por comportamentos agressivos e indesejados de natureza sexual, com a intenção de humilhar, constranger, intimidar ou exercer poder sobre a outra pessoa.

Este tipo de bullying pode incluir assédio e toques físicos, comentários inapropriados, piadas, insinuações de conotação sexual e compartilhamento ou ameaça de compartilhamento de fotos, vídeos íntimos ou conteúdos sexuais, por exemplo.

Como combater o bullying

Caso a criança ou adolescente esteja sofrendo bullying, deve-se:

  • Ouvir a criança ou o adolescente, fazendo com que se sinta segura, apoiada e acolhida;
  • Assegurar que a culpa do bullying não é da criança ou do adolescente;
  • Tranquilizar a criança, o que pode ser feito com os pais não duvidando das suas palavras;
  • Dizer que acredita no que está sendo dito e que vai ajudar a criança;
  • Deixar a criança confortável para conversar sempre que precisar.

Além disso, os pais devem conversar com os professores, buscar informação sobre mudanças de comportamento da criança e verificar quais as medida a escola toma para evitar e combater o bullying.

Bullying é crime?

De acordo com a Lei 14.811 de 2024, o bullying é considerado crime, podendo resultar em multa, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida ou até prisão por até 4 anos.

Sintomas de bullying

Os principais sintomas de bullying são:

  • Baixa autoestima;
  • Isolamento;
  • Ansiedade, nervosismo, estado de alerta constante e/ou depressão;
  • Alterações do sono, como insônia ou terrores noturnos;
  • Recusa de ir ao trabalho, à escola ou eventos escolares;
  • Ausência de contato visual;
  • Comportamento agressivo;
  • Mãos suadas;
  • Dor de cabeça;
  • Náuseas, vômitos ou dor abdominal;
  • Marcas no corpo, hematomas, arranhões ou fraturas, sem motivo aparente.

É importante que, no caso de crianças pequenas e adolescentes, estar em contato com professores e amigos, que podem dar informação sobre o comportamento da criança e, assim, seja possível identificar comportamentos diferentes dos de casa.

No caso dos adultos, é mais difícil, já que são pessoas pouco sociais, o que pode gerar uma falsa percepção de personalidade introvertida.

Por isso, no caso de identificar algum sintoma ou ser testemunha de alguma ação de bullying, deve-se tentar dar apoio à vítima.

Principais consequências do bullying

A criança ou adolescente que sofre de bullying chora constantemente por raiva e tristeza, sendo que no seu dia a dia, manifesta sentimentos de medo, insegurança e angústia, desvalorizando suas qualidades.

O bullying pode resultar em problemas à longo prazo, como dificuldade em relacionar-se com pessoas, estresse no trabalho, pouca capacidade para manter um relacionamento amoroso, dificuldade na tomada de decisões, tendência à depressão, baixa autoestima e pouca rentabilidade no trabalho devido a falta de confiança.

O bullying também pode levar ao comportamento suicida, principalmente quando desenvolve ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático. Saiba como identificar o comportamento suicida.

Leia também: 8 principais causas de suicídio, o que fazer (e como prevenir) tuasaude.com/suicidio-na-adolescencia

Como evitar o bullying?

Algumas medidas que ajudam a evitar o bullying em casa, na escola e no trabalho, são:

  • Implementar programas pedagógicos na escola, com foco na empatia, regulação emocional, respeito e amabilidade;
  • Criar normas institucionais contra o bullying e cyberbullying junto com a comunidade escolar, definindo regras, limites e consequências educativas;
  • Reforçar a supervisão de professores e funcionários em ambientes de maior vulnerabilidade na escola, como recreios, corredores, cantinas e banheiros;
  • Reservar momentos diários de conversa em família sobre amizades, sentimentos e rotina, para fortalecer a confiança;
  • Demonstrar em casa formas empáticas e respeitosas de lidar com conflitos e tratar familiares, colegas de trabalho e amigos;
  • Encorajar a prática de esportes e atividades extracurriculares, para ajudar a fortalecer a autoconfiança e o aumento da rede de amigos;
  • Ter o acompanhamento de colegas no recreio, no refeitório e nos caminhos, diminuindo a vulnerabilidade;
  • Relatar aos pais ou professores sobre uma agressão, para buscar segurança.

No ambiente de trabalho, a empresa pode definir comportamentos inaceitáveis de assédio e violência, disponibilizar canais protegidos de queixa.

Já o trabalhador pode ter um registro com datas, horários, descrição das ações, testemunhas e cópias de e-mails ou mensagens, e recorrer formalmente ao setor de recursos humanos, sindicatos ou canais de ética.