Hérnia umbilical: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
maio 2022
  1. Sintomas
  2. Diagnóstico
  3. Causas
  4. Tratamento
  5. Complicações 

A hérnia umbilical é uma saliência que aparece dentro ou ao redor do umbigo, formada por parte do intestino ou outro órgão abdominal que conseguiu atravessar os músculos abdominais, se acumulando entre os músculos e pele da região do umbigo, causando estufamento na região do umbigo. 

Esse tipo de hérnia, também chamada de hérnia no umbigo, é mais frequente em crianças, mas também pode surgir em adultos, e consegue ser percebida quando a pessoa faz força na região abdominal, como ao rir, levantar peso, tossir ou evacuar, por exemplo, e pode ser acompanhada de sintomas como dor, desconforto ou náuseas.

Apesar da hérnia umbilical não ser considerada grave, é importante que seja identificada e tratada para que possam ser prevenidas complicações, como infecção intestinal ou morte de tecidos devido à alteração da circulação sanguínea na região. Conheça mais sobre as hérnias

Sintomas de hérnia umbilical

Os principais sintomas de hérnia umbilical são:

  • Saliência na região do umbigo, que geralmente fica maior ao fazer esforços abdominais;
  • Dor ou desconforto no local da hérnia;
  • Dor abdominal;
  • Náuseas;
  • Prisão de ventre.

Além disso, em casos mais graves ou quando ocorre um estrangulamento dos tecidos localizados na hérnia, podem surgir sintomas como alteração na cor da pele em volta da hérnia umbilical, que pode ficar vermelha, roxa ou escura, vômitos, febre, inchaço, dor ou sensibilidade no abdômen. Nesse caso, deve-se procurar o atendimento médico imediatamente ou o pronto socorro mais próximo para tratamento imediato.

A hérbinal umbilical em bebês ou crianças, geralmente não causa dor, sendo muitas vezes percebida, quando a criança chora, tosse ou faz algum esforço abdominal, o que deixa a saliência no umbigo maior e mais visível.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da hérnia umbilical é feito pelo pediatra, no caso de bebês e crianças, ou pelo clínico geral, no caso de adultos, através do exame físico, ao observar a saliência dentro ou ao redor do umbigo, e avaliação dos sintomas. 

Além disso, quando a hérnia umbilical é de difícil diagnóstico clínico, o médico pode solicitar exames de imagem, como ultrassom abdominal ou tomografia computadorizada. Esses exames também podem ser solicitados para avaliar complicações da hérnia umbilical. 

Possíveis causas

A hérnia umbilical é causada por um enfraquecimento dos músculos abdominais, o que pode fazer com que parte do intestino ou de outro órgão abdominal, passe pelo ponto fraco do músculo, formando a saliência dentro ou ao redor do umbigo.

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da hérnia umbilical, como:

  • Obesidade ou sobrepeso;
  • Histórico familiar de hérnias;
  • Gravidez múltipla ou várias gravidezes;
  • Ascite, que é o acúmulo de líquido na cavidade abdominal;
  • Cirurgia anterior na região abdominal;
  • Diálise peritoneal para o tratamento de insuficiência renal;

Além disso, a hérnia umbilical pode surgir nos casos de tosse persistente.

A hérnia umbilical é mais comum em bebês, especialmente os bebês prematuros, ou crianças, mas também pode surgir em adultos.

Hérnia umbilical no bebê

Quando o bebê está se desenvolvendo no útero, é formada uma pequena abertura nos seus músculos abdominais, por onde passa o cordão umbilical, e quando esses músculos não fecham corretamente após o nascimento, pode surgir a hérnia umbilical.

A hérnia umbilical é comum em bebês, especialmente em prematuros, podendo surgir por volta dos 6 meses de idade, e geralmente some sozinha por volta dos 5 anos, não causando dor. 

No entanto, é importante levar a criança ao pediatra para que seja avaliada a gravidade da hérnia umbilical, pois quando grave e não tratada, a hérnia pode se desenvolver e ficar presa na cicatriz umbilical, resultando na hérnia umbilical estrangulada, o que pode colocar a vida do bebê em risco, sendo necessária a realização de cirurgia com urgência.

Hérnia umbilical na gravidez

A hérnia umbilical na gravidez é mais comum nas mulheres que tiveram hérnia quando eram crianças, uma vez que o aumento da pressão dentro da barriga da gestante faz com que surja uma abertura no músculo abdominal, que já estava fragilizado, permitindo que haja o estufamento de uma pequena porção.

Geralmente, a hérnia umbilical não é perigosa para o bebê, não afeta a saúde da mãe e não dificulta o trabalho de parto. Dependendo do tamanho da hérnia, o médico cirurgião geral ou cirurgião abdominal poderá indicar o uso de uma cinta durante a gravidez e irá avaliar a possibilidade de fazer a cirurgia para reparação da hérnia umbilical após o parto ou no momento da cesárea.

Como é feito tratamento

O tratamento da hérnia umbilical deve ser feito com orientação médica, sendo que na maioria dos casos, não é necessário nenhum tipo de tratamento, especialmente em bebês e crianças, que à medida que vão crescendo a hérnia umbilical melhora sozinha, o que normalmente acontece até os 5 anos.

No entanto, se a hérnia não melhorar até os 5 anos de idade, se formar na idade adulta ou tiver sintomas de estrangulamento da hérnia, o tratamento indicado pelo médico é a cirurgia, também chamada de herniorrafia, que é feita com o objetivo de evitar complicações, como infecção intestinal ou morte de tecidos devido à alteração da circulação sanguínea na região.

Esse tipo de cirurgia é simples, pode ser feita em crianças a partir dos 5 anos de idade e é disponibilizada pelo SUS. A herniorrafia pode ser feita por dois métodos:

  1. Videolaparoscopia, que é feita sob anestesia geral e são feitas 3 pequenas incisões no abdômen para permitir a entrada de uma microcâmera e dos outros instrumentos médicos que são necessários para corrigir a situação;
  2. Corte no abdômen, que é feita sob anestesia peridural e é feito uma incisão no abdômen para que a hérnia seja empurrada para dentro da barriga e depois a parede abdominal é fechada com pontos.

Normalmente durante a cirurgia o médico coloca uma tela ou rede de proteção no local com o objetivo de evitar que a hérnia volte a surgir e para ter maior reforço da parede abdominal. Entenda como é a recuperação após a cirurgia

Possíveis complicações 

A hérnia umbilical normalmente não é motivo de preocupação, mas se ela ficar presa, uma situação chamada de estrangulamento da hérnia umbilical, que ocorre quando o intestino fica preso dentro da hérnia, não podendo mais retornar para dentro do abdômen, a cirurgia deve ser realizada imediatamente. Por causa disso, toda pessoa com hérnia umbilical deve fazer a cirurgia para sua remoção.

Há urgência em realizar a operação porque a parte do intestino que ficou presa pode ter a circulação sanguínea prejudicada, havendo morte dos tecidos, que precisam ser removidos. Essa complicação pode afetar pessoas com grandes ou pequenas hérnias no umbigo, e não pode ser prevista, podendo acontecer em pessoas que tem a hérnia há 1 dia ou há muitos anos. 

Os sintomas de que a hérnia umbilical está encarcerada são dor intensa no umbigo com várias horas de duração. O intestino pode parar de funcionar e o abdômen pode ficar muito inchado. Náusea e vômito também costumam estar presentes. 

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em maio de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em março de 2020.

Bibliografia

  • COSTE, A. H.; JAAFAR, S.; PARMELY, J. D. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Umbilical Hernia. 2021. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK459312/>. Acesso em 04 mai 2022
  • TROULLIOUD LUCAS, A. G.; JAAFAR, S.; MENDEZ, M. D. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Pediatric Umbilical Hernia. 2021. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK459294/>. Acesso em 04 mai 2022
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  • Paterson-Brown, Simon. et al . Tópicos essenciais em cirurgia geral e de emergência. 5 ed. Rio de Janeiro : Elsevier, 2017. p. 57-63.
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.