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Pele do peixe tilápia pode ser usado nas queimaduras

Janeiro 2020

Recentemente, médicos do Hospital Municipal Souza Aguiar, na cidade do Rio de Janeiro, começaram a utilizar a pele do peixe tilápia no tratamento de pessoas com feridas causadas por queimaduras e já observaram que além de ser um tratamento de baixo custo, a pele de tilápia melhora a cicatrização das feridas causadas por queimaduras e alivia a dor no local.

Esta técnica começou a ser desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará para entender melhor as formas de esterilizar a pele de tilápia e em seguida, ampliaram os objetivos e fizeram parceria com outros centros de investigação para verificar a aplicação desta pele específica na prática clínica.

Para além do tratamento de queimaduras, a pele de tilápia tem sido aplicada nas cirurgias em mulheres com um tipo de distúrbio raro congênito, que faz com que a pessoa nasça sem o canal vaginal. No entanto, para que a pele de tilápia seja utilizada em todos os hospitais do SUS e seja comercializada é ainda necessária a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Pele do peixe tilápia pode ser usado nas queimaduras

O que foi feito antes

O peixe tilápia-do-nilo, popularmente conhecido como tilápia e com nome científico de Oreochromis niloticus, é de origem africana, porém bastante encontrado em rios de várias regiões do Brasil, como o Ceará, por exemplo. Por causa disso, em 2014 alguns pesquisadores da Universidade Federal do Ceará começaram a estudar as propriedades da pele deste peixe e descobriram que é resistente, elástica e rica em colágeno, possuindo níveis duas vezes maiores do que o colágeno encontrado na pele humana.

Entretanto, antes de começar a ser utilizada em pessoas, foi realizado um estudo para descobrir as melhores formas de esterilizar a pele de tilápia, pois este tipo de material pode conter microrganismos que poderiam causar infecções e doenças.

Desta forma, os pesquisadores submeteram a pele de tilápia a diferentes métodos de esterilização e chegaram a uma conclusão de que a desidratação sob baixas temperaturas e radiação não alteram as estruturas da pele de tilápia e por isso, estabeleceram um protocolo baseado nestes métodos para fazer a desinfecção rigorosa da pele de tilápia e manter a segurança e eficácia para aplicação na prática clínica.

Como a pele de tilápia é usada

Depois de passar por processos de desinfecção, a pele de tilápia é embalada a vácuo e enviado aos hospitais, inclusive ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. Já no Centro de Tratamento de Queimados deste hospital, os pacotes com as lâminas de pele de tilápia são abertos, hidratados com água e em seguida, aplicadas diretamente na queimadura, não havendo necessidade de utilização de pomadas ou qualquer outro produto.

A pele de tilápia age diretamente sobre a queimadura de uma pessoa, que pode ter sido causada por acidentes de trabalho com eletricidade ou por acidentes domésticos com fogo, diminuindo o tempo de cicatrização, aliviando a dor local mais rapidamente, além de reduzir os riscos de infecção, prevenir a perda de líquidos na lesão e ao longo dos dias vai se desfazendo, sendo que o curativo deve ser trocado a cada dez dias. 

Qual a comprovação científica

Vários estudos são realizados para entender qual o tratamento mais eficiente e mais barato para queimaduras, e essa foi uma das razões pelas quais os pesquisadores da Universidade Federal do Ceará do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Medicamentos começaram em 2015 as pesquisas envolvendo a pele de tilápia. Depois disso, outros centros de investigação do Brasil e de outros países, como Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Colômbia e México, fecharam colaboração para pesquisas com a pele de tilápia.

Como resultados destas pesquisas, estudiosos comprovaram que a pele de tilápia é um material biológico muito parecido com a pele humana, têm quantidades elevadas de colágeno e por isso pode ser usada como curativo em queimaduras.

Além disso, na prática foi possível verificar que a pele de tilápia formava uma barreira contra infecções, reduzia a secreção e permitia o fechamento da ferida de queimadura mais rapidamente sem provocar rejeição da pele da pessoa.

Pele do peixe tilápia pode ser usado nas queimaduras

Outras aplicações realizadas

A pele de tilápia também vem sendo utilizada em um tipo de cirurgia, chamada neovaginoplastia, em mulheres com um distúrbio congênito raro que faz com que a mulher nasça sem o canal vaginal. Nesta técnica, os médicos colocam um material para reconstruir a parte íntima feminina e aplica a pele de tilápia para ajudar na formação do tecido vaginal e melhorar a cicatrização.

Esta cirurgia ainda não foi aplicada por vários médicos, está sendo testada apenas em mulheres atendidas na Unidade de Saúde da Criança e do Adolescente da Maternidade Escola Assis Cheteaubriand (MEAC) da Universidade Federal do Ceará (UFC), no entanto, alguns resultados de sucesso têm sido apontados pela equipe médica, mostrando que a pele de tilápia também pode ser útil para este tipo de tratamento.

O que falta para comercialização

Atualmente, estão sendo tramitados no Ministério da Saúde os processos para que seja liberado o uso da pele da tilápia em todo o SUS, no entanto, para que isto aconteça é necessária a aprovação do material pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa ainda não informou publicamente como está o andamento da regularização deste produto e, por isso, os pesquisadores não sabem quando a pele de tilápia tratada poderá ser comercializada.

Veja um vídeo com dicas sobre o que fazer nos casos de queimadura:

QUEIMADURA: o que fazer

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Bibliografia >

  • ALVES, Ana Paula N.N. et al. Study of tensiometric properties, microbiological and collagen content in nile tilapia skin submitted to different sterilization methods. Cell Tissue Bank. Vol.19, n.3. 373-382, 2018
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. Tilapia fish skin: a new biological graft gynecology. 2018. Disponível em: <http://www.periodicos.ufc.br/revistademedicinadaufc/article/view/32783/72923>. Acesso em 15 Jan 2020
  • FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Na pele da tilápia. Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/2019/06/07/na-pele-da-tilapia/>. Acesso em 15 Jan 2020
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