O que é hipertireoidismo, causas e como é feito o diagnóstico

Abril 2020

O hipertireoidismo é uma condição caracterizada pela produção excessiva de hormônios pela tireoide, levando ao desenvolvimento de alguns sinais e sintomas, como ansiedade, tremores nas mãos, suor excessivo, inchaço das pernas e pés e alterações no cilo menstrual, no caso das mulheres.

Essa situação é mais comum de acontecer em mulheres entre 20 e 40 anos, apesar de também poder ocorrer em homens, e normalmente está associada à doença de Graves, que é uma doença autoimune em que o próprio organismo produz anticorpos contra a tireoide. Além da doença de Graves, o hipertireoidismo pode também ser resultado do consumo excessivo de iodo, superdosagem de hormônios tireoidianos ou ser devido à presença de nódulo na tireoide.

É importante que o hipertireoidismo seja identificado e tratado de acordo com a recomendação do endocrinologista para que seja possível aliviar os sinais e sintomas relacionados com a doença.

Causas de hipertireoidismo

O hipertireoidismo acontece devido ao aumento da produção de hormônios pela tireoide, o que acontece principalmente devido à doença de Graves, que é uma doença autoimune em que as próprias células do sistema imunológico atuam contra a tireoide, o que tem como efeito o aumento da produção de quantidades excessivas de hormônios. Conheça mais sobre a doença de Graves.

Além da doença de Graves, outras situações que podem levar ao hipertireoidismo são:

  • Presença de nódulos ou cistos na tireoide;
  • Tireoidite, que corresponde à inflamação da glândula tireoide, que pode acontecer no pós-parto ou devido à infecção por vírus;
  • Dose excessiva de hormônios tireoidianos;
  • Consumo excessivo de iodo, que é essencial para formação dos hormônios tireoidianos.

É importante que a causa do hipertireoidismo seja identificada, pois dessa forma o endocrinologista pode indicar o tratamento mais adequado.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do hipertireoidismo é possível através da dosagem no sangue dos hormônios relacionados com a tireoide, sendo indicada a avaliação dos níveis de T3, T4 e TSH. Estes exames devem ser realizados, de 5 em 5 anos a partir dos 35 anos de idade, principalmente em mulheres, mas pessoas que possuem maior risco de desenvolver a doença devem realizar este exame a cada 2 anos.

Em alguns casos, o médico pode indicar também a realização de outros exames que avaliam a função da tireoide, como dosagem de anticorpos, ultrassonografia da tireoide, autoexame e, em alguns casos, biópsia da tireoide. Conheça os exames que avaliam a tireoide.

Hipertireoidismo subclínico

O hipertireoidismo subclínico é caracterizado pela ausência de sinais e sintomas indicativos de alteração na tireoide, no entanto no exame de sangue pode ser identificado TSH baixo e T3 e T4 estão com valores normais. 

Neste caso, a pessoa deverá realizar novos exames dentro de 2 a 6 meses para verificar a necessidade da toma de medicamentos, isso porque normalmente não é necessário realizar nenhum tratamento, ficando este apenas reservado para quando existem sintomas.

Principais sintomas

Devido à maior quantidade de hormônios da tireoide circulantes no sangue, é possível que surjam alguns sinais e sintomas como:

  • Aumento dos batimentos cardíacos;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Alterações o ciclo menstrual;
  • Insônia;
  • Perda de peso;
  • Tremor das mãos;
  • Suor excessivo;
  • Inchaço nas pernas e pés.

Além disso, há maior risco de osteoporose devido à perda mais rápida de cálcio pelos ossos. Confira outros sintomas de hipertireoidismo.

Hipertireoidismo na gravidez

O aumento dos hormônios da tireoide na gravidez pode causar complicações como eclâmpsia, aborto, parto prematuro, baixo peso ao nascer além de insuficiência cardíaca na mulher.

As mulheres que tinham valores normais antes de engravidar e que foram diagnosticadas com hipertireoidismo logo no início até o final do primeiro trimestre de gravidez, normalmente, não precisam realizar nenhum tipo de tratamento porque é normal um ligeiro aumento de T3 e T4 durante a gestação. No entanto, o médico poderá indicar remédios para normalizar o T4 no sangue, sem prejudicar o bebê.

A dose do medicamento varia de uma pessoa para outra e nem sempre a primeira dose indicada pelo obstetra é a que se mantém, durante o tratamento, porque pode ser necessário ajustar a dose, após 6 a 8 semanas após o início do uso do remédio. Saiba mais sobre o hipertireoidismo na gravidez.

Tratamento para hipertireoidismo

O tratamento para hipertireoidismo deve ser feito de acordo com a orientação do endocrinologista, que leva em consideração os sinais e sintomas apresentados pela pessoa, causa do hipertireoidismo e níveis dos hormônios no sangue. Dessa forma, o médico pode indicar o uso de medicamentos como Propiltiouracil e Metimazol, uso do iodo radioativo ou remoção da tireoide através de cirurgia.

A retirada da tireoide só é indicada em último caso, quando os sintomas não desaparecem e não é possível regular a tireoide alterando a dose dos remédios. Entenda como é feito o tratamento para hipertireoidismo.

Confira algumas dicas no vídeo a seguir que podem ajudar a tratar o hipertireoidismo:

Informação do autor
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar

Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.

Bibliografia >

  • DEPARTAMENTO DE TIREOIDE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA. Hipertireoidismo: Sintomas. Disponível em: <http://www.tireoide.org.br/hipertireoidismo-sintomas/>. Acesso em 28 Abr 2020
  • HOSPITAL UNIVERSITÁRIO - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Protocolo de Hipertireoidismo/ Tireotoxicose (no adulto). Disponível em: <http://www.hu.ufsc.br/setores/endocrinologia/wp-content/uploads/sites/23/2015/01/PROTOCOLO-DE-HIPERTIREOIDISMO-NO-ADULTO-OK-06-de-agosto.pdf>. Acesso em 28 Abr 2020
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