Ashwagandha: o que é, principais benefícios e como tomar

Revisão clínica: Manuel Reis
Enfermeiro

A ashwagandha, conhecida popularmente como ginseng indiano, é uma planta medicinal, de nome científico Withania somnifera, rica em alcalóides, lactonas e saponinas, que possuem propriedades calmantes, anti-estresse e anti-inflamatórias, sendo muito utilizada para ajudar a melhorar o desempenho físico e mental e reduzir a ansiedade, podendo ser indicada em casos de estresse ou cansaço generalizado, por exemplo.

A parte normalmente utilizada da ashwagandha é a raiz, que pode ser usada na forma de chá, cápsulas ou líquido, e pode ser encontrada em ervanários, lojas de produtos naturais, farmácias de manipulação, mercados e algumas feiras livres.

A ashwagandha deve ser usada sempre com orientação de um médico ou outro profissional de saúde que tenha experiência com o uso de plantas medicinais, já que quando consumida em excesso pode causar dor de cabeça ou diarréia, além de não ser indicada para mulheres grávidas ou que estejam amamentando.

Principais benefícios

A ashwagandha possui propriedades anti-hiperglicêmicas, anti-inflamatórias, antioxidantes, calmantes e ansiolíticas e, por isso, garante diversos benefícios para a saúde, sendo os principais:

1. Aumentar o desejo sexual

Alguns estudos [1,2] mostram que a ashwagandha pode ajudar a aumentar o desejo sexual pois ajuda a regular hormônios promovendo um melhor funcionamento dos órgãos reprodutivos, como melhor lubrificação feminina e satisfação no contato íntimo.

Além disso, a ashwagandha pode ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade, que muitas vezes estão associados a uma diminuição do desejo sexual em mulheres e homens. Assim, essa planta também pode aumentar o desejo sexual.

2. Aumentar a fertilidade

De acordo com alguns estudos [3,4,5] a ashwagandha pode ajudar a aumentar a fertilidade em homens, por aumentar a produção de testosterona, o que leva a um aumento da quantidade e da motilidade dos espermatozóides.

Além disso, em mulheres, a ashwagandha também pode ajudar a aumentar a fertilidade, pois melhora o equilíbrio hormonal, promovendo um melhor funcionamento dos órgãos reprodutores, além de fortalecer o útero de mulheres que já tiveram aborto.

No entanto, ainda são necessários mais estudos que comprovem esse benefício.

3. Diminuir o estresse e a ansiedade

A ashwagandha possui substâncias na sua composição, como sitoindosideos e acilsterilglicosideos com ação adaptogênica, que ajuda a diminuir o estresse e a ansiedade, diminuindo a produção de cortisol que é um hormônio liberado em maiores quantidades em períodos de estresse.

Além da ação adaptogênica, a ashwagandha também tem substâncias que atuam no sistema nervoso central da mesma forma que o neurotransmissor GABA, o que ajuda a aumentar a sensação de relaxamento do corpo e diminuir os sintomas de ansiedade e estresse como agitação, nervosismo, cansaço mental ou dificuldade de concentração.

4. Combater a insônia

A ashwagandha pode ajudar a melhorar a qualidade do sono e reduzir a ansiedade que muitas vezes pode causar dificuldade para dormir. Desta forma, essa planta medicinal pode ser útil para ajudar a combater a insônia.

Além disso, ao melhorar a qualidade do sono e combater a insônia, essa planta medicinal também ajuda a melhorar os níveis de energia e o estado de alerta durante o dia.

5. Melhorar a memória

Um estudo [6] realizado em adultos tomando 600 mg do extrato de ashwagandha por dia, durante 8 semanas, mostrou que essa planta medicinal pode ajudar a melhorar a memória, a atenção e a velocidade de processamento da informação pelo cérebro.

Além disso, devido seus efeitos antioxidantes, a ashwagandha pode ajudar a diminuir os danos causados pelos radicais livres no cérebro, contribuindo para melhorar seu funcionamento e a capacidade cognitiva e motora.

Apesar da ashwagandha apresentar benefícios para a memória, ainda são necessários mais estudos que comprovem esse benefício.

6. Melhora o rendimento muscular

A ashwagandha pode ajudar a melhorar o rendimento muscular durante atividades físicas, isso porque essa planta medicinal pode contribuir para o aumento da força e da massa muscular, além do uso do oxigênio pelos músculos.

7. Fortalecer o sistema imunológico

A ashwagandha é rico em alcalóides, lactonas e saponinas que possuem ação anti-inflamatória, antioxidante e imunomoduladora, que ajudam a fortalecer o sistema imunológico, prevenindo e ajudando no combate de infecções.

8. Ajudar a controlar a glicemia

A ashwagandha possui substâncias na sua composição, como a witaferina A, com propriedades antiglicemiantes, que ajudam a controlar a glicemia por estimular as células a utilizar a glicose presente no sangue.

Além disso, alguns estudos [7,8] feitos com células em laboratório ou humanos, mostraram que a ashwagandha ajudou a reduzir os níveis de glicose no sangue e de hemoglobina glicada, o que pode ser útil para controlar a diabetes.

No entanto, é importante ressaltar que a ashwagandha não substitui o tratamento para diabetes indicado pelo médico. Veja como é feito o tratamento da diabetes.

9. Prevenir doenças cardiovasculares

Os alcalóides, as lactonas esteróides e os glicosídeos presentes na ashwagandha, possuem ação antioxidante, que ajudam na redução do colesterol ruim que é responsável por formar placas de gordura nas artérias. Assim, essa planta medicinal pode ajudar a diminuir o acúmulo de gorduras nos vasos sanguíneos e reduzir o risco de doenças cardiovasculares como aterosclerose, infarto ou derrame cerebral.

No entanto, o consumo regular da ashwagandha não substitui o tratamento médico com remédios e não exclui a necessidade de fazer uma alimentação saudável, pobre em gorduras. Confira os principais remédios para baixar o colesterol.

10. Auxiliar no tratamento do câncer

Alguns estudos [9,10] feitos com células ou animais em laboratório indicam que a ashwagandha apresenta propriedades que têm demonstrado serem eficazes para auxiliar no tratamento de diferentes tipos de câncer, como mama, pâncreas, pulmão, colo do útero e pele, por exemplo. No entanto, ainda são necessários mais estudos que confirmem essas propriedades.

Como tomar

A parte normalmente utilizada da ashwagandha é a raiz de onde são extraídas suas substâncias ativas e pode ser consumida na forma de chá, cápsulas ou usada líquida na forma de extrato fluido.

As principais formas de usar a ashwagandha são:

  • Cápsulas de 500 mg: a dose recomendada é de 1 cápsula de 500 mg, por via oral, 1 a 2 vezes ao dia, junto com a refeição;
  • Extrato fluido (líquido): a dose recomendada é de 2 a 4 mL (40 a 80 gotas) com um pouco de água, por via oral, 1 vez ao dia;
  • Chá de ashwagandha: colocar 1 colher (de chá) de raiz seca de ashwagandha em 120 mL de água fervente. Deixar repousar por 15 minutos, coar e tomar morno. Recomenda-se beber 1 xícara por dia durante o período máximo de 6 meses.

A duração do tratamento com a ashwagandha depende da orientação e indicação médica.

Possíveis efeitos colaterais

A ashwagandha é segura quando consumida nas quantidades recomendadas pelo médico e por um período máximo de 6 meses. Entretanto, durante o tratamento, quando se consome com muita frequência, em quantidade superior à recomendada ou por mais de 6 meses, podem ocorrer efeitos colaterais como dor de estômago, diarréia ou vômitos.

Alguns estudos indicam que o consumo da ashwagandha pode causar danos no fígado como hepatite ou icterícia, com sintomas que se iniciam de 2 a 12 semanas após o início do uso dessa planta medicinal como pele e olhos amarelados ou coceira intensa no corpo.

Quem não deve tomar

A ashwagandha não deve ser usada por mulheres grávidas ou em amamentação, por pessoas com doenças autoimunes como artrite reumatoide ou lúpus, ou que tenham úlcera no estômago.

Além disso, a ashwagandha pode reduzir a pressão arterial e dificultar o controle da pressão sanguínea em pessoas com hipertensão, ou reduzir muito os níveis de açúcar no sangue causando crise de hipoglicemia em diabéticos.

Uma vez que a ashwagandha tem efeito sedativo, pessoas que estejam tomando remédios para ansiedade ou depressão, devem evitar o uso desta planta medicinal, pois pode causar sono excessivo.

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Revisão clínica:
Manuel Reis
Enfermeiro
Pós-graduado em fitoterapia clínica e formado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, em 2013. Membro nº 79026 da Ordem dos Enfermeiros.
Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em março de 2022. Revisão clínica por Manuel Reis - Enfermeiro, em março de 2022.

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