11 situações em que a cesária é recomendada

A cesariana é indicada em situações em que o parto normal apresentaria maior risco para a mulher e o bebê, como no caso de placenta prévia ou descolamento da placenta, ruptura uterina, sofrimento fetal ou até mesmo posição errada do bebê. Nestes casos, a cesárea pode ser recomendada como cirurgia de emergência. 

No entanto, a cesariana ainda é uma cirurgia que pode ter algumas complicações associadas, como risco de infecções onde o corte foi feito ou hemorragias e, por isso, essa cirurgia deve ser avaliada pelo obstetra, como nos casos de diabetes gestacional ou trabalho de parto prolongado e sem dilatação completa, por exemplo. Veja outras situações em que a cesárea pode ou não ser indicada.

A decisão pela cesariana deve ser feita pelo obstetra levando em consideração o desejo da mulher em ter o parto normal ou não e o estado geral de saúde. Apesar do parto normal ser a melhor forma do bebê nascer, este por vezes é contraindicado, sendo necessário realizar uma cesárea e cabe ao médico fazer a decisão final após verificar o estado de saúde da mulher e do bebê. 

11 situações em que a cesária é recomendada

Algumas razões para se fazer uma cesárea são:

1. Placenta prévia ou descolamento da placenta

A placenta prévia acontece quando a mesma está fixada em um local que impede a passagem do bebê pelo canal do parto, sendo possível que a placenta saia antes do bebê. Já o descolamento da placenta ocorre quando a mesma se solta do útero antes do nascimento do bebê. 

A indicação de cesárea para estas situações se dá por a placenta ser a responsável pela chegada de oxigênio e nutrientes para o bebê e quando esta encontra-se comprometida, o bebê é prejudicado pela falta de oxigênio, o que pode levar a danos cerebrais. 

2. Ruptura uterina

A ruptura uterina, também conhecida como rotura uterina, é uma complicação obstétrica grave em que há rompimento da musculatura do útero durante o último trimestre de gravidez ou no momento do parto, o que pode resultar em sangramentos excessivos e dor abdominal intensa, podendo colocar em risco a vida da mulher e do bebê, sendo neste caso recomendada a cesariana imediata.

3. Rotura de vasa prévia

A vasa prévia é uma condição em que as membranas que contêm vasos sanguíneos que conectam o cordão umbilical a placenta, ficam próximas ou passam pelo colo do útero, podendo-se romper e causar sangramento intenso na mulher e no bebê, sendo considerada uma situação de emergência obstétrica, em que a cesárea deve ser realizada imediatamente.

4. Eclâmpsia ou pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada pelo aumento da pressão arterial e excesso de proteína na urina, que pode evoluir para eclâmpsia, em que ocorrem episódios repetidos de convulsões, seguidos de coma, e que pode ser fatal se não for tratada imediatamente. Nestes casos, a cesárea pode ser recomendada pelo obstetra assim que possível.

5. Síndrome de HELLP

A síndrome de HELLP é um conjunto de alterações que podem ocorrer na gravidez, especialmente no terceiro trimestre da gestação, e que se caracterizam pela destruição das hemácias, aumento das enzimas do fígado e diminuição da quantidade de plaquetas no sangue. 

Esta síndrome  geralmente está associada à pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, e pode colocar a vida da mulher e do bebê em risco, sendo recomendada pelo obstetra o parto induzido se se ocorrer após a 34ª de gestação,e a mulher esteja estável, ou uma cesárea, de forma precoce, para evitar complicações para a mulher ou para o bebê. Entenda melhor o que é a síndrome de HELLP e como é feito o tratamento.  

6. Bebês com síndromes ou doenças

Os bebês que foram diagnosticados com algum tipo de síndrome, doença ou malformações, como hidrocefalia ou onfalocele, que é a quando o fígado ou intestino do bebê estão do lado de fora do corpo, devem sempre nascer através da cesárea. Isso porque o processo do parto normal pode lesionar os órgãos no caso da onfalocele, e as contrações uterinas podem danificar o cérebro, no caso de hidrocefalia. 

7. Quando a mãe possui IST’s

Quando a mãe possui alguma infecção sexualmente transmissível (IST), como a herpes genital ativa, o bebê pode ser contaminado no momento da passagem do bebê pelo canal vaginal e, por isso, é mais indicado fazer o parto cesárea. 

Para mulheres que têm infecção pelo vírus HIV, a cesárea eletiva é indicada quando a mulher não está em tratamento com antirretrovirais, a contagem de CD4 é baixa ou desconhecida, e/ou a carga viral é desconhecida ou maior que 1000.

No entanto, se a mulher realizar o tratamento para a IST específica que possui, e ter a infecção controlada poderá tentar o parto normal. 

8. Quando o cordão umbilical sai primeiro

Durante o trabalho de parto, pode ocorrer do cordão umbilical passar pelo colo do útero e sair pela abertura vaginal, antes do feto. Esta situação é conhecida como prolapso do cordão umbilical, e aumenta o risco do bebê ficar sem oxigênio, sendo neste caso recomendado pelo obstetra a cesária de emergência.

9. Posição errada do bebê

Se o bebê permanecer em alguma posição, que não a de cabeça para baixo, como deitado de lado ou com a cabeça para cima, e não virar até antes do parto, é mais indicado fazer uma cesárea porque existe um maior risco para a mulher e o bebê, já que as contrações não são fortes o suficiente, tornando o parto normal mais complicado.

A cesariana também pode ser indicada quando o bebê está de cabeça para baixo mas está posicionado com a cabeça levemente virada para trás com o queixo mais voltado para cima, esta posição aumenta o tamanho da cabeça do bebê, dificultando a passagem pelos ossos do quadril da mãe. 

10. Em caso de gêmeos

Na gravidez de gêmeos, quando os dois bebês estão devidamente virados de cabeça para baixo o parto pode ser normal, no entanto, quando um deles ainda não virou até o momento do parto, pode ser mais aconselhado fazer uma cesariana. Quando são trigêmeos ou quadrigêmeos, mesmo estando de cabeça para baixo, é mais aconselhado fazer uma cesariana.

Além disso, a cesárea é indicada no caso de gêmeos siameses, que são gêmeos idênticos que têm partes do corpo unidas. 

11. Sofrimento fetal

Quando ocorre alteração ou diminuição dos batimentos cardíacos do bebê, diminuição dos movimentos fetais e diminuição do volume de líquido amniótico, há indícios de sofrimento fetal e neste caso pode ser necessário uma cesariana, pois, com os batimentos mais fracos, o bebê pode ter falta de oxigênio no cérebro, o que leva a danos cerebrais, como deficiência motora ou paralisia cerebral, por exemplo. 

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Bibliografia

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